As "Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira", tema em destaque no ENEM deste ano, levantou debates importantes sobre a realidade de milhares de idosos que vivem sem suporte familiar. Entre as reflexões apresentadas pelos estudantes, chamou atenção a redação de um jovem, integrante de uma família vicentina, ao destacar que muitos idosos “não são bem acolhidos no âmbito familiar” e acabam tendo como destino as Instituições de Longa Permanência.
A fala ecoa diretamente o cenário vivido em diversas obras vicentinas pelo país, onde o cuidado aos idosos é presença diária, especialmente àqueles que chegam sozinhos, fragilizados ou sem vínculos familiares ativos. Para além da reflexão, na SSVP o tema se transforma em prática concreta: acompanhamento próximo, visitas, apoio emocional e espiritual, convivência e parcerias para que ninguém envelheça sem afeto.
Um dos exemplos dessa resposta é o trabalho desenvolvido pelo SOS Vila Vicentina, projeto que atua dentro da Instituição de Longa Permanência da SSVP em Carmo do Cajuru/MG. Para compreender como esse cuidado se materializa, conversamos com Poliana Lopes Barbosa, responsável e mensageira do projeto, e com Amanda Camargos Rabelo, voluntária e vicentina.
Poliana explica que grande parte das ILPIs vicentinas atendem idosos de baixa renda ou sem família, e que muitos chegam com benefícios comprometidos ou até mesmo sem renda suficiente para custear suas necessidades básicas. “Com o aumento dos preços e da demanda, a instituição percebeu a necessidade de uma fonte estável e previsível de renda”, conta.
Foi assim que nasceu o SOS Vila Vicentina, uma iniciativa criada para garantir uma base contínua de doadores mensais. O objetivo principal, segundo Poliana, é claro: “assegurar condições para manter cuidados essenciais e garantir dignidade e qualidade de vida aos moradores.”
O projeto hoje atua em Carmo do Cajuru, beneficiando 43 idosos diretamente, por meio de contribuições mensais via PIX, recolhimento em domicílio e parceria com o serviço de água e esgoto da cidade. Uma estrutura que, além de oferecer apoio financeiro, aproxima voluntários e comunidade dos idosos, fortalecendo vínculos e promovendo convivência.
Para Amanda, que cresceu visitando a Vila Vicentina e encontrou no projeto uma forma de servir com sua profissão, o primeiro contato com a realidade do abandono é sempre marcante.
“Dá um aperto no coração ver um idoso chegar ao lar de maneira tão introspectiva, silenciosa, quase sem qualquer contato ou afeto”, relata. Mas o que mais a emociona é acompanhar o processo de transformação quando chegam ao lar:
“Na Vila, eles passam a conviver com outros idosos, recebem visita de pessoas que criaram laços com a Vila e começam a sentir novamente esse cuidado, esse tempo dedicado a eles. Não substitui a família, claro, mas devolve convívio, carinho e sensação de pertencimento. E isso transforma.”
Como publicitária, Amanda contribui produzindo conteúdos que mostram a rotina e o impacto das doações. No Natal, por exemplo, ela e Poliana realizaram uma campanha pedindo conselhos dos moradores para os mais jovens. Histórias como a de Dona Maria José, que aconselhou sobre paciência, e a do Sr. Anésio, que brincou dizendo que suas piadas eram “para maiores de 90, acompanhados dos pais”, revelam o quanto o encontro intergeracional gera troca e sentido.
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Amanda conta que saiu dessa visita transformada: “quando cheguei em casa cansada, lembrei do conselho dele. Decidi praticar uma atividade física, cuidar da minha saúde, realmente viver minha juventude.”
Para Poliana, o maior impacto do SOS é a segurança no cuidado diário. “As doações mensais permitem garantir alimentação, medicamentos, fraldas, higiene, equipe de cuidadores e um ambiente limpo e acolhedor”, afirma. Mais do que recursos, o projeto representa qualidade de vida.
O desafio, segundo ela, é sensibilizar a comunidade. “Muitas pessoas acreditam que pequenas doações não fazem diferença, quando na verdade são justamente as menores e constantes que mantêm o projeto vivo.”
E o que a move a continuar? “Ver no dia a dia o quanto esse apoio transforma vidas. Cada contribuição mensal se reflete em mais segurança, mais dignidade e mais qualidade de vida para idosos que muitas vezes não têm outra rede de apoio.”
Poliana reforça que qualquer contribuição faz diferença. As doações podem ser realizadas através do pix - [email protected] - ou também podem ser recolhidas em casa ou vinculadas à conta água do município (SAAE). Os interessados podem entrar em contato com o WhatsApp - (37) 99855-5865 - para obter mais informações.
“O importante não é o valor da doação, mas o coração de quem decide fazer parte dessa corrente de carinho.”
Além do apoio financeiro, o projeto recebe voluntários para mobilização de doadores, eventos solidários, comunicação e ações presenciais.
A mensagem que Amanda deixa é direta: “tenha coragem de dar o primeiro passo. O voluntariado transforma, a vida dos idosos e a nossa.”
Poliana completa lembrando que os jovens têm papel decisivo no cuidado à população idosa: “para a SSVP, a juventude não é apenas o futuro, é o presente ativo da caridade. Ser jovem vicentino é escolher amar, servir e proteger quem veio antes de nós.”
Entre abandono e cuidado, a juventude vicentina responde com presença, escuta e afeto. E enquanto o país envelhece, a SSVP segue abrindo portas e corações para que nenhuma velhice seja vivida em solidão.
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