Desde julho de 2025, a Casa Dona Zulmira, em Governador Valadares/MG, deu um passo significativo na promoção da dignidade da pessoa idosa: a oferta da Educação de Jovens e Adultos (EJA) dentro da própria instituição de longa permanência.
A iniciativa nasceu a partir do desejo manifestado pelos próprios moradores. Dos 39 idosos acolhidos na Casa, apenas um possui o ensino médio completo e outro concluiu o ensino fundamental; a maioria apresenta o ensino fundamental incompleto. A partir dessa realidade, a instituição buscou uma parceria com o poder público municipal para tornar possível o acesso à escolarização.
“Atender a esse pedido foi reconhecer que o processo de aprendizagem não tem idade e que todo ser humano é capaz de se desenvolver continuamente”, afirma Yuri Dutra, presidente da Casa Dona Zulmira.
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A Obra Unida oferece a infraestrutura e as ferramentas necessárias para a realização das aulas, enquanto a Prefeitura disponibiliza o professor responsável pelas atividades pedagógicas. No polo da escola estão o diretor, o coordenador e os demais profissionais que compõem a equipe administrativa e pedagógica.
As aulas acontecem no período matutino, das 8h às 11h, e atualmente contam com a participação de 14 internos, com idades entre 64 e 81 anos. A turma é composta por alunos da 2ª série, com o desenvolvimento das disciplinas que integram a base curricular.
Todos os estudantes matriculados tinham apenas o ensino fundamental incompleto e, em muitos casos, haviam deixado a escola ainda na infância. No início, permanecer três horas em sala de aula representava um desafio. Com o passar dos meses, no entanto, os idosos foram assimilando o novo espaço e reconhecendo os benefícios que o estudo passou a trazer para a rotina.
As aulas são adaptadas à realidade e ao ritmo de aprendizagem dos alunos. As metodologias incluem explicações mais pausadas, revisões frequentes, exemplos práticos do cotidiano, atividades com letras ampliadas, exercícios contextualizados e dinâmicas que estimulam memória, leitura e raciocínio lógico. Cada aluno é acompanhado de acordo com suas necessidades, progredindo no próprio ritmo.
Segundo Yuri, o contato com os estudos tem proporcionado benefícios significativos à saúde cognitiva dos residentes, contribuindo para a estimulação da memória, da concentração, do raciocínio e da autonomia. Além disso, a participação nas atividades favorece a socialização, fortalece a autoestima e promove maior valorização pessoal.
Os idosos demonstram orgulho e alegria a cada avanço. Hoje, todos os participantes conseguem escrever o próprio nome e realizar a leitura de parágrafos simples.
Uma das histórias mais marcantes é a de uma idosa que nunca havia tido acesso à escolarização e que, recentemente, conseguiu escrever o próprio nome pela primeira vez. Ao registrar sua assinatura no papel, emocionou-se profundamente ao perceber, de forma concreta, sua identidade reconhecida por meio da escrita.
A equipe percebe mudanças comportamentais e emocionais bastante positivas: aumento da autoestima, maior confiança nas próprias capacidades, mais entusiasmo na rotina diária e redução de comportamentos associados ao isolamento. Em um ambiente de instituição de longa permanência, também se observa o fortalecimento dos vínculos entre os residentes e maior interação social.
Para a Casa Dona Zulmira, oferecer educação vai além do cuidado básico. “Entendemos que o envelhecimento deve ser acompanhado não apenas de assistência física, mas também de estímulos intelectuais, emocionais e sociais. A educação promove autonomia, fortalece a autoestima e permite resgatar sonhos que ficaram interrompidos ao longo da vida”, destaca o presidente.
A iniciativa está diretamente alinhada à missão da SSVP, que tem como princípio fundamental a promoção da dignidade da pessoa humana, especialmente daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade. Ao proporcionar acesso ao conhecimento, a Obra reafirma o valor, a capacidade e o protagonismo dos idosos, promovendo inclusão, desenvolvimento integral e sentimento de pertencimento.
A educação, nesse contexto, torna-se instrumento de transformação, resgate da autonomia e fortalecimento da autoestima, concretizando o compromisso vicentino de servir com respeito, solidariedade e amor ao próximo, cuidando não apenas das necessidades físicas, mas também das dimensões social, emocional e intelectual dos assistidos.
A expectativa é de continuidade até a formatura da atual turma, com possibilidade de ampliação para novas turmas, conforme o interesse de outros moradores.
Como mensagem às instituições que desejam implantar iniciativas semelhantes, a Casa Dona Zulmira reforça: nunca é tarde para investir na educação e no desenvolvimento da pessoa idosa. O envelhecimento não representa o fim das possibilidades, mas pode ser uma etapa de novas conquistas, descobertas e realizações.
Ao incentivar o retorno aos estudos, a Casa Dona Zulmira testemunha que aprender é um direito em todas as fases da vida e que a caridade também se expressa quando se abre um caderno, se segura um lápis e se reacende um sonho.
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