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Rosa Mística: histórias de fé que sustentam a missão vicentina em Minas Gerais

Vicentinas de Barão de Cocais e São João del-Rei contam como a devoção à padroeira da Região 2 fortalece a espiritualidade e o serviço aos mais pobres

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Escrito por Ricaella Inocente

13 JUL 2026 - 09H00

Rede Aparecida de Comunicação

A devoção a Nossa Senhora da Rosa Mística nasceu de uma série de aparições marianas em 1947, na cidade italiana de Montechiari, testemunhadas pela enfermeira Pierina Gilli. Na visão, Maria aparece com três espadas cravadas no peito, símbolos de oração, penitência e expiação, que depois se transformam em três rosas: uma branca, uma vermelha e uma dourada, cada uma carregando um significado próprio de cura e entrega espiritual.

No Brasil, a Rosa Mística é padroeira da Região 2 da SSVP, escolha feita em 1991, e dá nome a 85 unidades vicentinas espalhadas pelo país, um Conselho Particular e 84 Conferências. Em cada uma delas, o nome da santa carrega também uma história própria, construída a partir da vivência e da fé de quem compõe o grupo. Duas dessas histórias vêm de Minas Gerais: a da Conferência Nossa Senhora Rosa Mística, do Conselho Particular (CP) de São Miguel, em Barão de Cocais, e a da Conferência de mesmo nome, do Conselho Central (CC) de Nossa Senhora do Pilar, em São João del-Rei.

Barão de Cocais: uma aparição vista por uma criança

Fundada em 25 de novembro de 1995, a Conferência de Barão de Cocais carrega o nome da santa desde sua origem. Segundo Regiane Souza Silva e Lopes, secretária da unidade, a escolha remete a um episódio simples e, ao mesmo tempo, marcante: durante a Via Sacra do início daquele ano, na igreja onde a conferência viria a ser fundada, uma criança relatou ter visto uma senhora segurando três rosas nas mãos, visão que só ela testemunhou, mas que se tornou fundamento da identidade do grupo até hoje.

"Significa proteção", resume Regiane sobre o que é, para os membros, ter Nossa Senhora da Rosa Mística como padroeira. A devoção não fica restrita à data comemorativa: a oração à santa é recitada em toda reunião da conferência, e a data de fundação é celebrada com confraternização entre os membros.

Para Regiane, essa espiritualidade vivida em grupo tem um efeito concreto: "não nos deixa desanimar nas adversidades do dia a dia". É esse mesmo espírito que ela aponta como o principal legado que gostaria de ver replicado em outras conferências: "Sempre haverá dificuldades na vida, mas para quem tem fé e perseverança na oração, vencerá."

Na relação com a missão vicentina, Regiane vê na santa um exemplo direto de conduta: simplicidade e obediência a Deus, uma referência que também molda a forma como a conferência acolhe as famílias assistidas. "Somos todos filhos do mesmo Pai e, tendo Maria como mãe, isso nos torna irmãos", explica. Se pudesse resumir em uma frase o que a santa representa hoje para a conferência, ela não hesita: "A obediência a Deus e a caridade para com o próximo."

São João del-Rei: uma igreja nascida de um sonho

Em São João del-Rei, a história da Conferência Nossa Senhora Rosa Mística está entrelaçada com a própria fundação da igreja que leva o nome da santa. Segundo Adriana Márcia Cruz Costa, primeira secretária da Conferência e segunda secretária do CCC de Nossa Senhora do Pilar, tudo começou em 1989, quando moradores do Bairro Residencial Lenheiro passaram a compartilhar sonhos em que Nossa Senhora pedia a construção de um templo sob a devoção de Rosa Mística, período que coincidia com as aparições marianas de Medjugorje.

Em 1991, orientado pelo capelão do 11º Batalhão de Infantaria, um grupo de moradores começou a rezar nas casas com a imagem da santa. O movimento ganhou o apoio do Padre Juvenal Vaz Guimarães Filho e do bispo Dom Antônio, que aconselhou a comunidade a planejar uma igreja grande, já prevendo o crescimento do bairro. Em 1992, um lote foi doado para a construção da capela, erguida com a mobilização da comunidade em festas, barraquinhas, leilões e feijoadas. Em 1993, com as orações diárias junto à imagem de Nossa Senhora Rosa Mística já estabelecidas no espaço construído, nasceu também a Conferência, em 29 de agosto daquele ano, completando neste ano 33 anos de história.

"O nome da conferência acompanha o nome da igreja, e foi um dos primeiros trabalhos a serem iniciados após a construção da mesma", conta Adriana. A devoção segue viva na rotina da comunidade: além das reuniões, a conferência participa de adoração semanal ao Santíssimo Sacramento e do terço dedicado à santa, e todo dia 13 de cada mês reza, junto à comunidade, as orações das mil ave-marias. Um oratório com a imagem de Nossa Senhora Rosa Mística visita semanalmente um confrade ou consócia diferente.

Para Adriana, o exemplo de Maria orienta diretamente o modo como a conferência vai ao encontro das famílias assistidas: "Assim como Maria correu para ajudar sua prima Isabel, sem hesitar, nós buscamos ter essa mesma pressa e amor. Ela é a mãe que nos protege e nos ensina a enxergar o rosto de seu Filho nos mais necessitados." Essa inspiração também molda o próprio sentido da visita vicentina: "Aprendemos que a visita vai muito além de entregar uma cesta básica, trata-se de ouvir com paciência, sem julgar, e acolher a dor do outro com o mesmo carinho de uma mãe."

Passado o tempo, o compromisso segue sendo transmitido entre gerações. "Os vicentinos mais antigos sempre ensinaram aos mais novos que o trabalho da SSVP no bairro nasceu junto com os tijolos daquela comunidade, e que manter a Conferência ativa é manter viva a promessa feita a Nossa Senhora em 1989", relata Adriana. Hoje, resume ela, a santa é "o nosso porto seguro, a nossa intercessora constante e a nossa maior inspiração de serviço humilde e silencioso" — e a frase que sintetiza esse legado é a mesma dita por Maria em Caná: "Fazei tudo o que Ele vos disser."

Duas conferências, uma só devoção

Separadas por mais de 200 quilômetros, as conferências de Barão de Cocais e São João del-Rei carregam trajetórias distintas, mas convergem num mesmo ponto: a certeza de que a oração sustenta a caridade. Como resume Adriana, "a devoção à nossa querida mãezinha é o combustível necessário para nunca desanimarmos diante das dificuldades da missão", um sentimento que ecoa, quase palavra por palavra, o que Regiane descreve em Barão de Cocais. Entre rosas e orações, é essa fé compartilhada que segue movendo o trabalho vicentino nas duas comunidades.

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