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Relações Internacionais

O Departamento de Relações Internacionais: a ponte que liga o Brasil vicentino ao mundo

Coordenado por Geyson Tôrres de Lima, o Departamento de Relações Internacionais e Ajuda Fraterna representa, dentro do CNB, o elo entre a SSVP Brasil e a Confederação Internacional, uma via de mão dupla que leva solidariedade a países hermanados e ta

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Escrito por Ricaella Inocente

23 JUL 2026 - 09H00 (Atualizada em 24 JUL 2026 - 20H13)

Poucos vicentinos têm dimensão exata do quanto o trabalho da SSVP no Brasil ultrapassa as fronteiras nacionais. Maior país vicentino do planeta, com cerca de 153 mil membros distribuídos por todo o território, o Brasil ocupa lugar de destaque dentro do Conselho Geral Internacional (CGI), a mais alta instância da Sociedade de São Vicente de Paulo em nível mundial, com sede em Paris e presença em mais de 150 países. É justamente essa relação entre o Conselho Nacional do Brasil (CNB) e o CGI que o Departamento de Relações Internacionais e Ajuda Fraterna existe para cuidar.

"A possibilidade de contribuir para o fortalecimento das relações internacionais da SSVP e para a ajuda fraterna entre os países hermanados com o Brasil tocou profundamente meu coração, pois expressa de forma concreta a universalidade da caridade vicentina", resume Geyson Tôrres de Lima, que assumiu o encargo já com experiência prévia em outros cargos do CNB.

O que faz o Departamento, na prática

O trabalho do Departamento se organiza em torno de duas frentes principais. A primeira é o diálogo institucional com o CGI, incluindo a articulação com a Comissão Internacional de Ajuda e Desenvolvimento (CIAD), órgão do Conselho Geral responsável por avaliar pedidos de financiamento de projetos vicentinos ao redor do mundo, seja em situações de emergência humanitária, seja em iniciativas de fortalecimento, expansão e desenvolvimento da Sociedade. É por meio da CIAD que o CGI já apoiou, por exemplo, ações do próprio Brasil em momentos de calamidade, reforçando a ideia de que a rede vicentina é, de fato, global.

A segunda frente é o acompanhamento direto aos países hermanados com o Brasil: Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai, Venezuela e São Tomé e Príncipe. Esse acompanhamento envolve identificar necessidades, analisar projetos apresentados pelos Conselhos Nacionais desses países e viabilizar ajuda fraterna, sempre em comunhão com o Conselho Geral Internacional.

Ajuda fraterna com rosto e história

Nos últimos meses, esse trabalho ganhou exemplos concretos. Ao Paraguai, o Brasil destinou recursos de hermanamento voltados à realização de formações, visitas a conferências mais distantes e ações missionárias, incluindo, também, o repasse de valores recebidos da própria CIAD/CGI. A São Tomé e Príncipe, no continente africano, o apoio brasileiro viabilizou a execução de um projeto de implantação de um aviário, antigo pedido do Conselho Nacional local, tornado possível graças à contribuição de diversos Conselhos Metropolitanos (CM) brasileiros. Ao Equador, os recursos de hermanamento foram destinados ao fortalecimento do trabalho das conferências e à realização de atividades missionárias e de formação.

O caso mais recente envolveu a Venezuela, país hermanado ao Brasil. Diante do terremoto que atingiu o país e causou graves impactos à população local, o CNB acionou seu Fundo Emergencial para apoiar os vicentinos venezuelanos em ações de assistência humanitária, hoje voltadas à compra de alimentos, água potável e outros itens essenciais às famílias mais afetadas pela tragédia.

O CNB mantém, desde então, contato permanente com o Conselho Nacional da Venezuela, acompanhando de perto a situação do país, e segue arrecadando recursos para o Fundo Emergencial destinado aos irmãos vicentinos venezuelanos, na expectativa de ampliar esse apoio nos próximos meses.

Uma via de mão dupla: o Brasil também exporta caridade

Se, por um lado, o Departamento canaliza apoio do Brasil para outros países, por outro, ele também é responsável por levar ao mundo experiências vicentinas nascidas em solo brasileiro, e a Sociedade internacional já reconheceu, mais de uma vez, o valor desse trabalho.

O exemplo mais consolidado é o das Conferências de Crianças e Adolescentes (CCA). Criado no Brasil, o modelo foi apresentado pelo próprio CGI durante a Assembleia Internacional de 2010, em Dublin, ocasião em que o Conselho Geral recomendou sua adoção em todos os países onde a SSVP está presente, um reconhecimento formal de que a forma brasileira de formar as futuras gerações vicentinas poderia (e deveria) inspirar o mundo.

Mais recente é o caso do Guia de Missões, material produzido pelo Departamento Missionário do CNB para orientar vicentinos na realização de missões vicentinas. Em 2025, o guia foi traduzido para o espanhol e adaptado também para os demais países de língua portuguesa, com as situações específicas do contexto brasileiro devidamente ajustadas para a realidade de cada nação. A tradução foi apresentada e distribuída em novembro daquele ano, durante o Encontro Ibero-Americano da SSVP, realizado no Panamá, com a presença de uma delegação brasileira. Exemplares também foram enviados a outros países da confederação, como forma de propagar entre os vicentinos de língua espanhola o mesmo instrumento de formação e expansão missionária já utilizado no Brasil.

Outro projeto que vem ganhando repercussão além das fronteiras nacionais é o Banho Solidário, iniciativa nascida em Juiz de Fora/MG para acolher pessoas em situação de rua. Viabilizado justamente com apoio de recursos internacionais da CIAD/CGI, o projeto já se tornou referência para outros Conselhos dentro do próprio Brasil e carrega o desejo declarado de seus idealizadores de que, um dia, possa se espalhar também para outros países da rede vicentina mundial.

Fraternidade sem fronteiras

Por trás de siglas como CGI e CIAD e de processos de repasse, tradução e cooperação institucional, o que sustenta o trabalho do Departamento de Relações Internacionais é a mesma convicção que move qualquer vicentino diante de uma visita domiciliar: a certeza de que a caridade não reconhece fronteiras. Cada projeto apoiado, cada guia traduzido, cada recurso redirecionado em tempos de crise é, no fundo, a mesma vocação vicentina — de ir ao encontro de quem sofre — vivida em escala internacional.

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