A um dia da grande final da Copa do Mundo, marcada para este domingo (19), no MetLife Stadium, nos Estados Unidos, o país vive a expectativa da decisão que vai coroar o primeiro campeão da era dos 48 selecionados. É também nesse clima de torcida que a SSVP Brasil tem vivido, ao longo de julho, uma proposta diferente para o esporte: fazer dele uma escola de fraternidade e um caminho de aproximação entre vicentinos, jovens e assistidos.
O convite não é só da SSVP. Em junho, na intenção de oração do mês, o Papa Leão XIV pediu que se rezasse pelos valores do esporte, segundo a Vatican News, nas vésperas da Copa do Mundo. Em sua oração, o Pontífice agradeceu "pelo dom do esporte, por aqueles que glorificam a Deus com o exercício dos seus corpos, pelas amizades que nascem no campo e pela alegria de jogar em equipe", e fez um pedido que se tornou o mote deste ano vicentino: "Pedimos-Te que o esporte seja sempre escola de fraternidade e não de rivalidade vazia, espaço de encontro e não de exclusão, caminho de paz e não de violência." Para o Papa, o esporte ensina que "na vida, como no jogo, ninguém se salva sozinho", convicção que também move, neste mês, iniciativas em Unidades Vicentinas de todo o Brasil.
A principal delas é a "Juventude em Campo", proposta da Comissão de Jovens Nacional (CJ) para todo o mês de julho. A iniciativa nasceu de uma coincidência simbólica: no dia 4 de julho, a SSVP celebra o dia litúrgico de São Pier Giorgio Frassati e também o Dia Internacional do Jovem Vicentino. Inspirada por essa data e pelo clima de Copa do Mundo, a CJ Nacional propôs que cada unidade organizasse, à sua maneira, atividades esportivas capazes de animar a juventude vicentina e fortalecer o trabalho de recrutamento.
"A intenção é animar, motivar e valorizar nossos jovens que tanto se dedicam à SSVP, bem como recrutar novos membros", comenta Ana Cláudia Prado, Coordenadora Nacional da CJ. Segundo ela, o jovem "precisa ser cativado por iniciativas próprias da juventude", e a proposta é abrir uma porta de entrada mais dinâmica e acolhedora para, depois, aprofundar com esses jovens a formação no carisma vicentino, "integrando o esporte com momentos formativos, espirituais e de partilha".
Não há um modelo único: cada Coordenador de Jovens adapta a iniciativa à realidade local, com atividades que vão de trilhas e corridas a vôlei, futsal, uno e jogos on-line. O resultado é um mosaico espalhado pelo país: o Conselho Metropolitano (CM) do Rio de Janeiro organizou uma trilha; o de Goiânia promoveu jogos on-line e uma caminhada até Trindade; Formiga/MG reuniu os jovens num "encontrão"; Uberaba/MG lançou o projeto "Juventude Vicentina em Ação"; São José do Rio Preto/SP também apostou no "Encontrão de Jovens"; em Jundiaí/SP, cada Conselho Central (CC) organiza sua própria atividade, com destaque para a "Copa da Caridade"; Brasília promoveu a ação "Caridade em Ação"; e São José dos Campos/SP reuniu os jovens em um acampamento. A orientação já havia sido enviada às unidades no início do ano e o incentivo segue por meio de reuniões e grupos de comunicação.
Uma das ações que integram esse movimento é a "Copa Frassati — esporte, amizade e fé", do CM de São Paulo. Idealizado por Andreza Ferreira de Lira, coordenadora de jovens do CMSP e atuante na Conferência São Brás, vinculada ao CC Sudeste, o projeto nasceu em 2026 e reúne crianças das Conferências de Crianças e Adolescentes (CCA), jovens vicentinos e assistidos em vôlei, futsal, alongamento e jogos de mesa como dama, xadrez e dominó.
"Todos podem estar participando conosco, pois é uma forma de incentivo às atividades físicas no dia a dia e para melhorar a saúde", conta Andreza. A organização é dela em parceria com a vicentina Cláudia Bianca, formada em Educação Física, com apoio da diretoria do CMSP. As atividades acontecem em Arujá, na Grande São Paulo, numa escola da comunidade que cedeu suas quadras. "Não temos voluntários, todos são vocacionados", destaca a coordenadora.
Para Andreza, o esporte cumpre um papel direto na saúde integral de quem participa, "principalmente para se cuidar da saúde mental e parte física" e na autoestima: "esportes, sejam eles quais forem, estimulam muito na autoestima de qualquer ser humano." Ela também credita ao esporte a aproximação de novas famílias: aumenta o "núcleo de amizades" e a aproximação entre elas e a SSVP.
Sobre o convite do Papa para que o esporte seja "escola de fraternidade e instrumento de paz", Andreza resume a proposta da Copa Frassati: "A reunião de amigos, sem competição, sem ambição e apenas a convivência sadia entre amigos que são ligados pela fé e que têm os mesmos objetivos na caminhada." Em uma frase, ela sintetiza o que o esporte representa para o grupo: "União, fraternidade, disciplina e perseverança, fortalecendo os laços afetivos entre confrades, consócias e aspirantes, e incentivando o compromisso com a missão vicentina."
Em Minas Gerais, a CJ do CM de Patos de Minas (CMPM), na Regional 5, também respondeu ao chamado da Copa com a "Copa Jovi 2026", nome que une o Mundial à sigla da Juventude Vicentina (JOVI). Coordenado por Gabriela Rodrigues de Araujo, o evento reuniu cerca de 50 jovens vicentinos, de 16 a 35 anos, em vôlei, futsal, queimada, peteca e um torneio de truco, na Escola Estadual Nossa Senhora da Piedade, em Lagoa Formosa/MG.
Diferente da Copa Frassati, a Copa Jovi não é um projeto permanente: foi pensada especialmente para este ano, em celebração ao mês da Juventude Vicentina e a São Pier Giorgio Frassati, mas a Comissão já estuda torná-la um evento anual. A primeira edição contou com o apoio da equipe da escola, que cedeu quadras e materiais gratuitamente, e da Delcia, vicentina de Lagoa Formosa, responsável pela articulação entre a escola e a CJ.
"A Copa Jovi não é apenas um momento de competição saudável, mas também uma oportunidade de fortalecer amizades, cultivar valores cristãos e renovar o entusiasmo da missão vicentina", explica Gabriela. Para ela, a experiência em equipe traduz o próprio sentido da missão: "Como diz a frase, 'sozinhos podemos fazer tão pouco; juntos podemos fazer muito' [Helen Keller], nós, como vicentinos, devemos lembrar sempre que 'jogamos' em um mesmo time, onde todos colaboram para o bem dos pobres." Segundo ela, os jovens "se sentem valorizados e motivados a participarem ativamente da missão da SSVP", e o esporte "favorece o desenvolvimento da disciplina e do respeito às regras", valores que, em outro momento da entrevista, ela liga diretamente às visitas domiciliares e ao acompanhamento das famílias assistidas.
Questionada sobre o pedido do Papa Leão XIV para que o esporte seja instrumento de paz, Gabriela é direta: "A Copa Jovi traduz esse convite do Papa ao transformar a competição em um espaço de encontro, fraternidade e evangelização. (...) O esporte torna-se um instrumento de paz porque fortalece amizades entre Conferências, aproxima jovens de diferentes cidades e reforça que, na missão vicentina, vencer é caminhar unidos, colocando a fé, a caridade e o serviço ao próximo acima de qualquer resultado." Seu recado às demais Conferências resume o espírito do mês: "Que outras Conferências se sintam motivadas a investir na juventude, criando iniciativas que unam esporte, fé e serviço. (...) A evangelização também acontece nas quadras, no espírito de equipe e na amizade."
Entre trilhas, campeonatos de futsal e torneios de truco, o mês da Copa do Mundo tem sido, para a juventude vicentina, também o mês de colocar em prática o que o Papa Leão XIV pediu em oração: um esporte que una mais do que separe, que aproxime mais do que exclua. Como resume Andreza: "Vamos cuidar de nós para que possamos cuidar de nossa Missão."
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