O início de um novo ano costuma ser marcado por expectativas, planos e promessas de mudança. É a partir dessa reflexão que a psicóloga Silvia Regina Simões Torres Da Silva, coordenadora da Rede de Afeto da SSVP Brasil, propõe um olhar atento para a saúde mental e emocional por meio da campanha Janeiro Branco. A iniciativa convida à conscientização sobre o cuidado com a mente, reforçando que a saúde emocional deve ser prioridade contínua, essencial para o bem-estar pessoal, familiar e social e também para o exercício pleno da missão vicentina.
O Janeiro Branco tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da saúde mental e emocional, promovendo o bem-estar psicológico, desmistificando o tema, combatendo o preconceito e incentivando a busca por ajuda profissional. A campanha propõe transformar a saúde mental em prioridade para todos, em todas as épocas do ano.
Utilizando o branco como símbolo de um “quadro em branco” para novas atitudes, a campanha busca normalizar o diálogo sobre o cuidado com a mente e criar um compromisso coletivo com a saúde emocional. O lema “Quem cuida da mente, cuida da vida” nos convida a olhar com mais atenção para nossas emoções e a reconhecer a importância de buscar apoio sempre que necessário.
A conscientização é o primeiro passo para a mudança e a transformação. Ao ampliar o entendimento sobre questões sociais, de saúde, ambientais e comportamentais, favorece-se a adoção de atitudes mais responsáveis, a prevenção de problemas, a melhoria da qualidade de vida e do convívio social, tanto no âmbito individual quanto coletivo, gerando empatia, engajamento e ações concretas para um futuro mais saudável e sustentável.
O início do ano pode trazer impactos significativos para a saúde mental, aumentando os níveis de ansiedade e estresse e, em alguns casos, desencadeando quadros de depressão. A virada do ano é socialmente percebida como um tempo de renovação e recomeço, o que acaba gerando uma pressão, tanto interna quanto externa, para estabelecer metas e resoluções.
A frustração por planos não concretizados no ano anterior ou a cobrança por “começar certo” podem despertar sentimentos de fracasso e ansiedade. Além disso, o período de festas e a transição de um ano para outro naturalmente convidam à reflexão sobre a vida, as conquistas e as falhas. Esse balanço pode despertar melancolia e tristeza, especialmente quando há a sensação de improdutividade ou a vivência de perdas significativas.
Entre os erros mais comuns ao definir metas de Ano Novo estão: criar objetivos vagos ou irreais, estabelecer metas em excesso, não definir prazos ou etapas, focar em expectativas alheias em vez das próprias e desistir diante de obstáculos ou pequenas falhas, sem revisar ou ajustar o plano. Esses fatores frequentemente resultam em frustração e abandono precoce dos objetivos.
Nesse contexto, uma forma mais saudável de pensar o início do ano é conhecer e refletir sobre a importância dos antipropósitos. Enquanto os propósitos costumam se concentrar em metas a alcançar — o que, muitas vezes, nos faz sentir insuficientes —, os antipropósitos nos convidam a refletir sobre o que precisamos parar, diminuir ou desapegar para viver com mais equilíbrio emocional.
Os antipropósitos não são o oposto de sonhar, nem a negação de metas. Eles representam um movimento consciente de pausa e escolha. São decisões internas de interromper padrões que geram sofrimento emocional. Ao adotá-los, torna-se possível reduzir a ansiedade, fortalecer o autocuidado, criar limites saudáveis e desenvolver a autocompaixão, promovendo uma relação mais respeitosa consigo mesmo e com a própria saúde mental.
Parar de se comparar constantemente
Cada pessoa tem seu tempo, sua história e seu próprio processo. A comparação excessiva gera frustração e baixa autoestima.
Antipropósito: “Não me comparar com o capítulo dos outros enquanto vivo o meu.”
Diminuir a autocrítica excessiva
A autocrítica constante esgota emocionalmente. Errar faz parte do crescimento humano.
Antipropósito: “Parar de me tratar com dureza e aprender a falar comigo mesmo com respeito.”
Romper com a necessidade de agradar a todos
Dizer “sim” para tudo gera sobrecarga emocional. Estabelecer limites é um ato de amor-próprio.
Antipropósito: “Não assumir o que não é meu.”
Reduzir o excesso de controle
Nem tudo depende de nós. O controle excessivo aumenta a ansiedade e o sofrimento emocional.
Antipropósito: “Confiar mais no processo e soltar o que não posso controlar.”
Parar de romantizar o cansaço
Descansar não é preguiça. Corpo e mente precisam de pausas para se manterem saudáveis.
Antipropósito: “Não normalizar a exaustão como sinal de valor.”
Além disso, os antipropósitos também envolvem atitudes concretas de cuidado, como: dormir melhor, pedir ajuda, respeitar os próprios limites emocionais e procurar apoio psicológico quando necessário. Cuidar da saúde mental não é um luxo, é uma necessidade.
Algumas perguntas podem auxiliar nesse processo de reflexão:
Os antipropósitos são escolhas conscientes de deixar para trás aquilo que nos adoece, para que a vida possa seguir com mais verdade, equilíbrio e cuidado.
Ao refletirmos sobre o autocuidado como compromisso, compreendemos que é preciso estar bem para acolher o outro. Nas visitas aos nossos assistidos, é fundamental ter consciência da importância da disponibilidade emocional, que inclui presença, escuta, acolhimento e sensibilidade à dor do outro.
Quando o vicentino não está emocionalmente bem, mesmo com boa intenção, pode acabar interrompendo a fala do outro, minimizando sua dor, levando suas próprias angústias para a escuta, oferecendo conselhos em vez de presença ou buscando alívio pessoal no sofrimento alheio. Quando isso acontece, a visita deixa de ser sobre o assistido e passa a ser sobre quem visita.
Antes de realizar qualquer visita, é importante que o vicentino se pergunte: Como estou hoje? Estou com pressa, irritação ou cansaço extremo? Tenho espaço interno para acolher a dor do outro sem me misturar com ela?
Às vezes, o maior cuidado é adiar a visita, reorganizar-se internamente e retornar mais inteiro.
É importante ressaltar que o autocuidado fortalece a nossa missão. Quando cuidamos de nós mesmos, a escuta se torna mais leve, a presença mais profunda, o acolhimento mais verdadeiro e a visita se transforma em encontro.
“Só posso ser abrigo quando não estou em ruínas. Não é possível acolher a dor do outro quando ignoramos a nossa. O autocuidado não nos afasta da missão; ele nos sustenta nela.”
Caso seja necessário conversar ou identificar a necessidade de apoio emocional entre os assistidos, procure a Rede de Afeto, entrando em contato com o seu Conselho Central.
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