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Exemplos que Arrastam: no silêncio da ação

Maria Líbia Barreto Pereira, conhecida como Líbia, mostra em silêncio que o verdadeiro espírito vicentino se revela nos pequenos gestos feitos com amor e constância

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Escrito por Marina Prado

27 OUT 2026 - 09H00

Há pessoas que falam sobre caridade. Outras a vivem diariamente, sem precisar de grandes discursos. A história da personagem desta coluna Exemplos que Arrastam, a Consócia Maria Líbia Barreto Pereira, conhecida simplesmente como Líbia, mostra justamente isso: que o verdadeiro espírito vicentino se revela nos pequenos gestos feitos com amor e constância.

Nascida em 15 de junho de 1952, em Princesa Isabel, no sertão da Paraíba, Líbia cresceu trabalhando na agricultura e ajudando no sustento da família. Na juventude conheceu Antônio, o homem com quem dividiria a vida e a missão vicentina. As famílias moravam perto e se encontravam indo para a roça. Mais tarde, quando ele passou a morar na casa do avô, vizinha à dela, começaram a se aproximar.

Sem energia elétrica nas casas, Antônio estudava à luz dos postes enquanto Líbia fazia acabamentos de costura. Quase não conversavam, até que, em uma noite de Natal, ela o convidou para ir à missa. Ele aceitou. O namoro começou em dezembro de 1976. Ele tinha 13 anos; ela, 18.Casaram cinco anos depois.

Em 1986, o casal deixou o sertão para tentar a vida em Maceió/AL. Antônio foi primeiro para trabalhar como pedreiro e depois levou Líbia e as filhas Adriana, Adrileide e Aldineide. Para ajudar na renda, ela costurava.

Os primeiros tempos foram difíceis. Sem dinheiro para aluguel, dormiram em uma casa ainda em construção, sobre um lençol estendido na areia. Depois conseguiram um quarto cedido pela dona da obra e, mais tarde, uma pequena casa alugada. Foi nesse período que a SSVP entrou definitivamente na vida da família.

Tudo começou com o convite insistente de uma vicentina idosa chamada Tercila, que os levou para uma missa e depois para uma reunião da Conferência Sagrado Coração de Jesus.

“Olha, a SSVP pra mim, eu acho que é o grupo que eu mais me identifico na Igreja. Porque é um grupo que cuida dos mais necessitados, dos nossos Mestres e Senhores”, conta Líbia.

Algum tempo depois, precisaram se mudar novamente. Sem ter para onde ir, Líbia rezava pedindo “um lugar coberto com duas telhas”. A família foi morar em uma casa de taipa, próxima a uma barreira, com apenas dois cômodos e sem banheiro. Mesmo diante das dificuldades, ela dizia: “Eu pedi a Deus duas telhas e Ele me deu um palácio”.

As chuvas derrubavam parte das paredes de barro e a barreira chegou a desmoronar algumas vezes, mas a gratidão nunca diminuiu. Após muitos anos de esforço, ela e Antônio conseguiram melhorar a casa onde viveram por mais de 20 anos.

Mas ainda faltava algo: a vivência vicentina mais próxima. Foi então que nasceu a Conferência Nossa Senhora da Visitação, fundada por ela, o esposo, as filhas e alguns vizinhos.

Anos depois, por questões de saúde, a família mudou-se novamente. Em uma nova paróquia, um padre — que havia sido assistido pelos vicentinos na infância — pediu ajuda para fundar uma Conferência em sua comunidade. Assim, no dia 13 de outubro de 2016, nasceu a Conferência Nossa Senhora Rosa Mística, da qual Líbia é atualmente vice-presidente.

Mas seu trabalho vai muito além das funções habituais de uma Consócia. Integrante da equipe de Missão do Conselho Metropolitano, ela evangeliza através das atitudes. Mesmo tímida e sem gostar de falar em público, está sempre pronta para ouvir, aconselhar e ajudar.

“Eu acho que a Sociedade faz parte da minha vida. Sem a Sociedade, eu não seria a mesma pessoa que sou”, afirma.

Quando chegam doações, é ela quem separa, dobra e organiza tudo. Se encontra roupas rasgadas, pega linha e agulha para consertá-las, porque acredita que todos merecem receber o melhor. Nas missões, mantém contato com as famílias visitadas e acompanha suas necessidades. No Conselho Metropolitano, também é conhecida pela comida feita com carinho, preparando almoços e lanches sempre que necessário, mesmo perto dos 80 anos.

E faz tudo movida pelo mesmo sentimento: “O que me leva a fazer tudo isso é o amor ao trabalho vicentino. Muitas vezes eu estou cansada, mas quando lembro das pessoas que tanto precisam, não tem como não fazer.”

Talvez seja justamente no silêncio de gestos assim que nasçam os maiores Exemplos que Arrastam.





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Por Marina Prado, em Notícias

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