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São Vicente de Paulo nos ensina a cuidar para servir!

Em artigo para o Dia Nacional dos Vicentinos e celebração de São Vicente de Paulo, o assessor espiritual do Conselho Nacional do Brasil (CNB), padre Allan Júnio Ferreira, CM, revisita as cartas do santo e mostra como o cuidado com quem serve é parte

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Escrito por Ricaella Inocente

27 SET 2026 - 09H00

Neste domingo, 27 de setembro, a Igreja celebra a solenidade de São Vicente de Paulo, padroeiro da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), e os vicentinos comemoram também o Dia Nacional dos Vicentinos. Para marcar a data, o padre Allan Júnio Ferreira, CM, assessor espiritual do Conselho Nacional do Brasil (CNB), propõe um olhar sobre uma face menos conhecida do santo: a atenção que ele dedicava àqueles que se colocavam a serviço dos Pobres.

A partir de trechos de cartas e conferências de São Vicente, o artigo mostra um pastor que acompanhava de perto as Damas da Caridade, os Padres e Irmãos da Missão e as Filhas da Caridade, com palavras de ânimo nos momentos de cansaço e de dúvida. A reflexão chega aos vicentinos de hoje com um lembrete: cuidar de si não é egoísmo, mas responsabilidade com a vocação assumida. Confira o texto na íntegra.

São Vicente de Paulo nos ensina a cuidar para servir!

Celebramos hoje com muita alegria a solenidade de São Vicente de Paulo e o Dia Nacional dos Vicentinos. Para a Família Vicentina, a data de hoje é muito mais do que uma memória litúrgica ou uma festa, pois celebrar o santo padroeiro de todas as obras sociais da Igreja é motivo de júbilo e ação de graças pelo seu testemunho e pelas virtudes que deixou para cada um de nós.

Conhecemos bem a biografia de São Vicente de Paulo e os aspectos principais da sua vida. Sabemos que veio de uma família humilde e camponesa. Que foi ordenado padre ainda muito jovem, a fim de adquirir os benefícios eclesiásticos, e que, no início do seu ministério, passou por tentações contra a fé e chegou a ser escravizado em terras distantes. Sabemos ainda que sua vocação foi amadurecendo à medida em que confiava na Providência de Deus. E esta Providência o levou a lugares nunca imaginados e propiciou encontros nunca antes planejados. São nas surpresas de Deus que São Vicente de Paulo deixou de pensar em si mesmo e se colocou a serviço dos mais Pobres. Naquele feliz dia 25 de janeiro de 1617, na pequenina Folleville, atendeu à confissão de um camponês e percebeu o abandono pastoral e espiritual do povo. Mais tarde, na paróquia de Chatillon, chama a atenção dos seus fiéis para um olhar caridoso sobre as necessidades materiais dos Pobres.

Mas, o que talvez ainda não saibamos, é que São Vicente de Paulo era um homem atencioso e preocupado com aqueles que serviam os Pobres. Sejam as Damas da Caridade, os Padres e Irmãos da Missão ou as Filhas da Caridade, São Vicente sempre tinha uma palavra de incentivo para os momentos de dúvida e incertezas, e uma palavra de ânimo para os momentos de abatimento e cansaço na missão. Vemos isso claramente em suas cartas e conferências dirigidas aos missionários e missionárias dos Pobres. Em suas letras transpareciam o cuidado de um pastor e o carinho de um pai. Eis alguns exemplos:

““Meu Deus, como agradeço de coração a Deus pelo restabelecimento da saúde do Padre Jegat. Peço-vos abraçá-lo em meu nome, com a maior cordialidade possível, e rogo à sua bondade divina restitua a saúde a nosso bom Irmão Bastien, a quem saúdo também muito humilde e afetuosamente.”” (SV, br, II,106)

““Deus adia com frequência o resultado final de uma santa iniciativa, para levar aos que a empreendem a merecer-lhe a graça, quer pelo trabalho demorado, quer pela paciência e pela oração. É a razão por que vos peço não vos deixar abater pelo cansaço, em vossos empreendimentos.”” (SV, br, III, 765)

““O último pequeno relatório que nos enviastes, tendo-nos feito ver a virtude de Deus em vós e esperar um fruto extraordinário de vossos trabalhos, nos fez derramar lágrimas de alegria a vosso respeito e de gratidão para com a bondade de Deus, que, por sua graça, cuida admiravelmente de vós e dos povos que evangelizais, com tanto zelo e prudência de vossa parte, e parece que da parte deles com a disposição para se tornarem filhos de Deus”” (SV, br, VIII, 187-188)

““Continuai, de vossa parte, minha Irmã, a bem praticar as virtudes, para ir crescendo no amor e na imitação de Nosso Senhor; sede bem fiel a vossos exercícios, buscando tornar-vos cada vez mais agradável a seus olhos e amável aos olhos dos Pobres, pois sois como mãe deles.” ” (SV, br, VI, 58)

Percebemos que São Vicente de Paulo não abandonava em nenhum momento aqueles que, de coração sincero, se colocavam à disposição da Missão. Se em algum momento as dificuldades próprias do trabalho missionário, como as doenças, as perseguições, o cansaço, etc., viessem a atormentar algum dos seus missionários, logo tinha uma palavra de conforto e amizade para com todos. O cuidado vicentino se manifesta nas pequenas coisas, como uma oração pela recuperação da saúde de alguém ou a alegria em saber que tal missionário escapou de alguma dificuldade.

Hoje somos convidados a imitar São Vicente de Paulo em seu cuidado e amizade. Tê-lo como santo padroeiro é uma responsabilidade, pois nos compromete a imitar as suas virtudes. Frederico Ozanam já salientava: “Um Santo Patrono é um modelo que se torna necessário imitar, como ele próprio imitou o modelo divino que é Jesus Cristo.” Os confrades e consócias que se aventuram a assumir o carisma vicentino devem ter a consciência de que, para ir aos Pobres, faz-se necessário estar bem consigo mesmo. Só depois estará preparado para cuidar e servir os mais sofredores. Cuidar de si não é egoísmo! É responsabilidade pela vocação um dia assumida.

São Vicente de Paulo soube cuidar de si e dos outros. Sabia que precisava ser mais compreensivo com o tempo do outro. Sabia que seu temperamento era forte e, por vezes, agressivo, por isso suplicava a Deus a virtude da mansidão. Sabia que, para estar no meio dos Pobres, precisaria estar bem de saúde e com disposição para enfrentar qualquer desafio?

Que neste Dia Nacional do Vicentino aprendamos com São Vicente de Paulo a cuidar para servir. Que a nossa vocação vicentina esteja sempre pronta para atuar naqueles espaços que mais precisam de nós, e isto significa que estes lugares podem ser a nossa própria casa ou conferência. Cuidar para servir é a nossa missão!

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