Alface, couve, rúcula, agrião, beterraba, mandioca. Pés de manga, banana e abacate. Ervas para os chás e estufa para as folhas que não aguentam chuva. Em lares vicentinos de São Paulo e de Minas Gerais, o que nasce na terra vai direto para a mesa: das pessoas idosas que vivem nos lares, de quem trabalha neles e das famílias acompanhadas pelas Conferências.
Em Suzano e Santa Isabel, no estado de São Paulo, são três hortas ligadas ao Conselho Central (CC) de Suzano, na Região 4. A mais antiga, em Santa Isabel, existe desde 2015. A de Suzano começou em 2021, e a terceira, instalada dentro da Casa de São Vicente de Paulo de Suzano, surgiu em 2022. Juntas, elas ajudam a preparar cerca de 1.500 refeições por mês nos lares e nas casas das famílias atendidas. Em Bambuí, Minas Gerais, a horta da Vila Vicentina Padre Geraldo Rezende abastece a casa desde 2021.
“A ideia surgiu da necessidade de oferecer às famílias e aos idosos alimentos saudáveis e nutritivos, aproveitar os espaços e dar a satisfação de produzir os próprios alimentos”, conta Fabiano Falcone, presidente da Casa de São Vicente de Paulo de Suzano.
As galinhas se alimentam dos vegetais...maisAs galinhas se alimentam dos vegetais, produzem ovos e esterco, que volta para o cultivo da hortamenos Horta e Pomar da Caridade de Santa Is...maisHorta e Pomar da Caridade de Santa Isabelmenos A banana pão é utilizada em receitas ...maisA banana pão é utilizada em receitas dos laresmenos A iniciativa também cultiva pepinosmaisA iniciativa também cultiva pepinosmenos Mudas que chegam a horta para serem c...maisMudas que chegam a horta para serem cultivadasmenos Lá é possível encontrar também beterr...maisLá é possível encontrar também beterrabasmenos Mudas de alface da Horta e Pomar da C...maisMudas de alface da Horta e Pomar da Caridade de Santa Isabelmenos
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Os vicentinos de Suzano chamam os espaços de Santa Isabel e de Suzano de Horta e Pomar da Caridade. O nome explica a razão de existir. “Os alimentos são produzidos com o intuito de ajudar as famílias assistidas e os idosos dos lares”, resume Fabiano.
Em Santa Isabel, a horta ocupa um terreno particular cedido e é mantida inteiramente por doações, do terreno às mudas e ao caseiro que cultiva o espaço. São cerca de 2 mil mudas de legumes, verduras, temperos, chás e frutas. A colheita abastece os dois lares e também famílias atendidas na cidade de Arujá. “Toda semana o motorista do lar passa lá, pega os alimentos e leva para o lar de Suzano. E todo domingo eu colho e levo ao lar de Santa Isabel”, relata.
A horta de Santa Isabel ganhou recentemente uma criação de galinhas. As aves se alimentam dos vegetais plantados ali e devolvem ovos, que seguem para o lar e para as famílias, e esterco, que passou a adubar as duas hortas. “Eu comprava esterco para colocar na horta e passei a produzir para alimentar as duas”, explica Fabiano.
Já a horta de Suzano funciona em um imóvel cedido pela prefeitura. O terreno é menor e também reúne cerca de 2 mil mudas. Quem acompanha o dia a dia é o vicentino Waldyr, que mora em frente e está presente todos os dias, com o apoio de um jardineiro do lar que trabalha no espaço uma vez por semana. O Conselho Particular (CP) de Suzano, a Conferência Nossa Senhora das Dores e o próprio lar ajudam a manter a horta, e as mudas e o esterco chegam por doação. A colheita vai para a Casa de Suzano, sempre às quintas-feiras, e para famílias atendidas pelas dez Conferências do CP de Suzano.
A Casa de Suzano é a maior das duas e, por isso, recebe alimentos das duas hortas. “Em Suzano, hoje, são 23 idosos e 27 colaboradores, e todos se alimentam. A gente não compra essas mercadorias: somos nós que produzimos”, afirma o presidente.
O cuidado segue uma rotina. O plantio acontece nas épocas de melhor cultivo, de acordo com o calendário lunar. A rega é feita ao menos duas vezes por dia, e a colheita, diariamente, à medida que cada cultura fica pronta. As hortas são orgânicas: não recebem defensivos agrícolas nem agrotóxicos e são adubadas com compostos vegetais e esterco de galinha curtido.
A colheita também acompanha a visita às famílias. “Antes das visitas, passamos na horta, colhemos e levamos às famílias assistidas”, conta Fabiano. Para ele, a horta abre às famílias “a oportunidade de adquirir alimentos sem custo, visto que todos são doados”, e coloca na mesa verduras e legumes aos quais muitas delas não teriam acesso.
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A horta de Suzano é também um espaço de cuidado para quem vive no lar. A cada 15 dias, residentes da Casa de São Vicente de Paulo de Suzano vão até lá para a hortaterapia, prática que usa o cultivo de plantas, temperos e o trabalho com a terra para promover a saúde física e mental. “Eles vão até lá e participam de tudo: plantam, colhem, tiram o mato”, descreve Fabiano.
Os encontros são acompanhados pela nutricionista Mariana de Oliveira de Carvalho, vicentina e coordenadora da Comissão de Jovens (CJ) da Região 4. Como o terreno é plano, pessoas em cadeira de rodas e com deficiência também participam. Na visita mais recente, estiveram na horta Miguel, Antônio Bispo, José Ferreira, Valderci, Antônio Carlos, Maria do Carmo, Cenira e Guilherme, entre eles Maria do Carmo e Antônio Bispo, que são pessoas com deficiência.
A ideia veio da experiência de Fabiano à frente do lar. “Aconteceu quando virei presidente da Casa. Sentia que seria muito bom para os idosos”, lembra.
Dentro da Casa, a terceira horta foi pensada para que todos pudessem cuidar dela. São caixas suspensas, instaladas na altura certa para quem usa cadeira de rodas, com cerca de 50 mudas de hortaliças e temperos. Ali, o cuidado é inteiramente dos residentes, que plantam, regam e colhem, e tudo o que se produz fica para o consumo do próprio lar. As caixas e as mudas foram doadas. “No lar, é muito útil como terapia ocupacional. Os alimentos orgânicos são muito saudáveis e nutritivos e geram qualidade de vida para os idosos”, diz Fabiano.
Em Minas Gerais, a horta da Vila Vicentina Padre Geraldo Rezende, em Bambuí, ligada ao Conselho Metropolitano (CM) de Formiga, começou em julho de 2021. A ideia partiu de Juca Bahia, que idealizou o projeto para contribuir com a instituição e cultivar hortaliças e frutas. Desde o início, a horta conta com o apoio do Sicoob Credibam, que custeia o colaborador responsável pelo cuidado e pela produção. Ele trabalha três vezes por semana e cuida de todo o processo, do plantio à rega e à colheita.
A variedade chama a atenção. Na horta crescem alface, couve, rúcula, agrião, espinafre, almeirão, acelga, brócolis, couve-flor, tomate, abóbora, abobrinha, berinjela, chuchu, pimentão, pepino, cenoura, beterraba, batata-doce e mandioca. O pomar tem abacate, banana, manga e outras frutas.
Para garantir as verduras de folha o ano inteiro, a Vila investiu em uma estrutura própria. “Em nossa horta contamos com uma estufa de 180 m² para cultivo de folhosas, cujo cultivo é bastante difícil na época das águas”, explica a presidente da Vila Vicentina, Gasparina Goretti Chaves.
Assim como em Santa Isabel, há também uma pequena criação de galinhas, que aproveita as sobras da horta e produz ovos.
As verduras abastecem a Vila, e o excedente é vendido à comunidade local. Segundo Gasparina, a horta trouxe três mudanças para a casa: economia, porque a Vila passou a se abastecer das próprias verduras, frutas e legumes; mais diversidade no cardápio; e mais qualidade na alimentação, com frutas e verduras frescas e naturais. “Temos muitas variedades”, resume.
Alunos do 7º ano de um colégio de Aru...maisAlunos do 7º ano de um colégio de Arujá ouviram explicações sobre o cultivo orgânico, plantaram mudas de alface, colheram couve, arrancaram mandioca e voltaram para casa com sacolas de alimentos colhidos por eles mesmosmenos Os espaços também recebem visitas de ...maisOs espaços também recebem visitas de vicentinos de outros Conselhos Centrais e de grupos de estudantesmenos
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Em Suzano, a horta ultrapassa os muros. Toda semana, Fabiano registra o que está crescendo e envia as fotos a uma lista de transmissão do CC de Suzano. “Eles acompanham as safras, as produções. É um negócio muito legal”, conta.
Os espaços também recebem visitas de vicentinos de outros Conselhos Centrais e de grupos de estudantes. Em uma delas, alunos do 7º ano de um colégio de Arujá ouviram explicações sobre o cultivo orgânico, plantaram mudas de alface, colheram couve, arrancaram mandioca e voltaram para casa com sacolas de alimentos colhidos por eles mesmos.
O próximo encontro será o maior até agora. Na festa da Imaculada Conceição do CC de Suzano, cerca de 150 vicentinos vão tomar café na horta de Santa Isabel. “Muitos não conhecem. Vão ver a criação das galinhas, levar para suas casas verduras. Vai ser uma experiência interessante”, antecipa Fabiano.
A quem pensa em plantar a própria horta, o presidente da Casa de Suzano deixa um convite:
“Comecem agora, em vasos, caixas suspensas, em canteiro, onde tiver um pequeno espaço com terra. Juntem os confrades e consócias, motivem os idosos dos lares a participar. Precisa de poucos recursos, o investimento em sementes é baixo. O que é preciso é dedicação e muito zelo, e isso todo vicentino já tem.”
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