O Dia Mundial do Enfermo, celebrado hoje, 11 de fevereiro, é um convite à compaixão e ao cuidado com quem sofre. Na Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), essa data traduz uma missão vivida diariamente nos 11 hospitais e nos 476 lares para idosos espalhados pelo Brasil, onde o atendimento vai além da assistência clínica e, graças ao carisma vicentino, se transforma em presença, escuta, fé e acolhimento às famílias e aos enfermos.
Nos hospitais vicentinos, o cuidado nasce da caridade e ganha forma em gestos concretos. “O amor ao próximo, ao assistido, é o que guia o nosso trabalho. O nosso olhar é mais humanitário, extrapola o olhar técnico”, afirma José Márcio Rodrigues, presidente do Hospital São Vicente de Paulo, em Afonso Cláudio/ES.
A unidade, com 120 anos de história, é referência na região e atende cerca de duas centenas de pessoas todos os dias, sendo o único local de assistência hospitalar para a população da cidade e, muitas vezes, da região. Filantrópico e conveniado ao SUS, o hospital funciona com o esforço conjunto de profissionais, voluntários e da comunidade, que abraça a instituição e a reconhece como espaço de cuidado e esperança.
Ali, o atendimento técnico caminha junto com um diferencial que marca a presença vicentina: a proximidade com o paciente e sua família. Esse olhar inspirado pelos ensinamentos de Frederico Ozanam e São Vicente de Paulo, fez com que o hospital criasse uma equipe de vicentinos da cidade que realiza visitas semanais aos leitos, conversa, escuta e reza com os enfermos e seus familiares. “A oração é um alimento espiritual. A grande maioria aceita, independentemente da crença. Deus é um só”, relata o presidente.
“A gente não vai esperando nada em troca. Vai para fazer a nossa parte. E isso faz bem para quem recebe e para quem serve. Nada se compara ao ouvir um agradecimento, o muito obrigado pelo atendimento, na hora que o paciente vai para casa”, completa Rodrigues.
Além disso, o hospital abre as portas para outros voluntários que vão diariamente à noite para servir café, café com leite, bolacha e pão com manteiga, aos pacientes e acompanhantes — um gesto de carinho que acalenta quem passa horas de angústia dentro do hospital.
A espiritualidade, vivida com respeito e delicadeza, também é percebida como parte do processo de recuperação. “Acredito que esse aconchego e a espiritualidade ajudam na recuperação. Fazem parte da cura”, diz Rodrigues, ao destacar que o cuidado com o enfermo não se limita ao corpo, mas alcança o coração e a fé.
A missão não é fácil, o hospital enfrenta os problemas comuns a tantas outras unidades de saúde em nosso país, mas a missão vicentina e a vocação são o combustível para seguir em frente e fazer diferente. “Temos uma equipe muito boa, tanto o pessoal da recepção, da limpeza, enfermagem, o corpo clínico, a diretoria, todos os funcionários. É uma equipe muito boa, muito competente. Se não forem todos a dar a sua máxima participação, o hospital não anda. E acaba que vira uma rede de amor também, com essa visão de gerir vicentina”, avalia Rodrigues.
A participação dos vicentinos em unidades de saúde também é destacada pelo diretor-presidente do Hospital de São Vicente de Paulo, de Águas Formosas/MG, Sebastião Rodrigues de Brito. O local tem 61 anos e Brito integra a diretoria há quase 25 anos. “Os vicentinos, além de estarem na diretoria, contribuem diretamente com os valores de acolhimento e solidariedade que fazem parte da missão do hospital, unido a isso, o cuidado realizado de forma inclusiva e dedicada pela equipe de enfermagem e, de modo geral, por todos os funcionários da instituição”, afirma.
Lares para idosos
Essa mesma sensibilidade se repete nos lares para idosos mantidos pela SSVP. Em cada Unidade, o cuidado é entendido como missão e presença. No Conselho Metropolitano de Governador Valadares/MG, que também tem em sua área os hospitais de Afonso Cláudio/ES e Águas Formosas/MG, são oito lares de idosos, que cuidam de cerca de 260 residentes, muitos deles enfermos e nem sempre com a presença de familiares. “Posso afirmar que cada um deles é um espaço de cuidado e acolhimento. Nossos residentes não são apenas assistidos, são acolhidos como pessoas, com respeito, dignidade e muito amor”, afirma Wander Inácio de Souza, presidente do Conselho Metropolitano.
Ele destaca que o diferencial está no olhar humano e fraterno. “O que diferencia os lares vicentinos é justamente o olhar humano e fraterno, onde o carinho, a escuta, a convivência e a presença dos vicentinos caminham junto com o cuidado técnico. É lindo ver o trabalho realizado em nossos lares.”
Entre os internos enfermos, a atenção se torna ainda mais próxima e dedicada. “Com os internos doentes, temos uma atenção ainda mais especial. Além do acompanhamento e do atendimento dos profissionais técnicos, eles recebem o carinho e a presença dos vicentinos, que sabemos que fazem a diferença”, completa.
Em hospitais e lares, o que se vê é uma rede de cuidado que envolve profissionais, vicentinos, familiares e comunidade. A presença, a escuta, a oração e o carinho se tornam parte do tratamento e ajudam a devolver dignidade e esperança a quem enfrenta a dor e a doença.
No Dia Mundial do Enfermo, a SSVP recorda que cuidar da saúde é também cuidar da alma, das relações e da fé. Em cada visita, em cada gesto simples, em cada palavra de conforto, os vicentinos reafirmam que ninguém deve sofrer sozinho, e que o amor, vivido em comunidade, também é caminho de cura.
Wander Inácio de Souza, presidente do CM de Governador Valadares
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