“Uma Filha da Caridade é como um marco, sobre o qual todos que estão cansados têm o direito de depositar seus fardos”. (palavras que a Irmã Rosalie gostava de repetir)
Rosalie Rendu nasceu em 9 de setembro de 1786, em Confort (França), filha de uma família de pequenos proprietários. Foi batizada com o nome de Jeanne Marie e educada na fé católica. Em 1802, tornou-se Filha da Caridade, ao entrar para a Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. Após o período de formação, foi trabalhar no bairro parisiense de Mouffetard, marcado por todo tipo de pobreza, miséria psicológica e espiritual, doenças, casebres insalubres, carências diversas.
Aconselhados por Bailly, Ozanam e seus amigos procuraram a Irmã Rosalie Rendu, religiosa de grande atividade em Paris. Ela os orientou no serviço de visita domiciliar aos Pobres, indicando-lhes as famílias a visitar e ensinando-os a ver e servir Cristo na pessoa dos Pobres. Assim, ela estimulou grande número de leigos para o serviço dos Pobres. Destacou-se pelo trabalho de visita aos Pobres em suas casas, pelo serviço incansável em favor deles (marca que a SSVP conserva até hoje).
Como formadora vicentina, Irmã Rosalie ensinou os fundadores a “ver Nosso Senhor nos Pobres” e as marcas de sua coroa de espinhos na testa dos necessitados. Oferecendo como apoio prático, Irmã Rosalie guiou as visitas domiciliares, enfatizando que os jovens amigos/fundadores e todos que seguem seus legados, os vicentinos, deveríamos tratar os Pobres com respeito, escuta e amor, agindo com simplicidade e não de forma ostentosa.
É considerada a grande conselheira de Ozanam e seus amigos (primeira assessora espiritual), sendo peça-chave na consolidação da missão da SSVP. Com ternura e respeito, Irmã Rosalie e as irmãs da casa onde ela residia orientam estes rapazes generosos e outros estudantes. Ela lhes recomendou paciência, tolerância e educação. “Amem os pobres, não os acusem… lembrem-se de que os pobres são ainda mais sensíveis às boas maneiras do que à sua ajuda”.
Numa luta incansável contra a miséria e na busca de promover a dignidade dos Pobres, Irmã Rosalie tornou-se uma grande figura de Paris no século XIX, admirada e respeitada pelas autoridades políticas e eclesiásticas, e, sobretudo, amada e venerada por todo o povo simples do Bairro Mouffetard. “Lutar contra a miséria para devolver à pessoa sua dignidade” foi o objetivo da vida de doação total de Irmã Rosalie Rendu. A missão dela no bairro de Mouffetard, o mais miserável de Paris, durou até 1856 quando morreu, após enfermidade.
Revelou, no serviço dos Pobres, suas qualidades de liderança natural, humildade, compreensão, abnegação e capacidade de organização. Para os Pobres, fundou uma escola, uma creche, um orfanato, um patronato para jovens operárias, um dispensário e uma casa para idosos, tudo para combater a pobreza. Ela consistiu, no início da obra, uma espécie de mola mestra dos novos missionários da caridade.
Era convicta do ensinamento de Vicente de Paulo: “Se dez vezes por dia fordes aos Pobres, dez vezes por dia encontrareis a Deus... ides à casa dos Pobres, mas aí encontrais a Deus”. Falava a Deus de cada Pobre que servia. “Nunca faço tão bem minha oração como na rua”, dizia ela.
Irmã Rosalie cercava-se de numerosos colaboradores generosos e eficazes, pois ninguém conseguia resistir aos apelos daquela mulher tão persuasiva. Nada a detinha quando era para servir os Pobres. Despertava a consciência dos que tinham poder e dinheiro, estimulava a partilha, apoiava e aconselhava seus amigos engajados nas reformas sociais, mas por predileção, ia ao encontro de “seus Mestres”, ali onde estava a miséria. Percorria diariamente as ruas dos bairros mais pobres de Paris, tendo o terço na mão, um pesado cesto no braço, e passo apressado, porque sabia que alguém a esperava.
Irmã Rosalie Rendu faleceu em 07 de fevereiro de 1856. Foi beatificada pelo Papa João Paulo II, em Roma, no dia 9 de novembro de 2003. Com a sua delicadeza em servir, ela tornou-se modelo para a atividade vicentina naquela data e hoje.
Como se diz de São Vicente de Paulo, pode-se dizer de Irmã Rosalie: Ela tinha o “dom da humanidade”, pois estava próxima de quem estivesse sofrendo. Compreendia-os, amava-os com todo seu coração, com toda sua fé: este era seu segredo. Conhecida como "mãe dos pobres", sua dedicação uniu diferentes classes sociais em seu funeral, com o epitáfio “À Irmã Rosália, de seus amigos, os pobres e os ricos”.
Ada Ferreira
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