A Família Vicentina do Brasil vive um momento histórico: pela primeira vez uma leiga assume a coordenação de seu Conselho Nacional. Márcia Teresinha Moreschi, vicentina da Conferência Sagrada Família, de Brasília/DF, foi a escolhida para exercer função que, até então, era tradicionalmente desempenhada por padres ou religiosas.
Vicentina desde 1997, Márcia soma 29 anos de caminhada na Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), sempre na mesma Conferência. Seu ingresso na SSVP nasceu de um profundo desejo de servir aos Pobres. “No meu coração eu tinha o desejo de trabalhar com os pobres, mas não sabia como”, relembra. Incentivada por sua mãe, engajada na Pastoral da Saúde, e atendendo ao chamado do pároco à comunidade, passou a integrar uma Conferência que, à época, contava com apenas três membros e estava prestes a encerrar suas atividades. “Fiquei encantada e mergulhei profundamente na espiritualidade vicentina. Queria ser transformada de rocha bruta a um diamante lapidado”, testemunha.
Sua atuação na Família Vicentina teve início em 2009, durante o XI Encontro Nacional, quando foi apresentado o Programa Mudanças de Estruturas (Mudança Sistêmica). “A partir dali fui responsável por desenvolver o programa em toda a região de atuação do Conselho Metropolitano de Brasília”, explica. Em 2014, com a criação do Grupo da Família Vicentina do Centro-Oeste, sua missão foi ampliada para toda a Região V, articulando ações conjuntas, promovendo formações e fortalecendo a comunhão entre os diversos ramos da Família Vicentina.
Mesmo exercendo funções relevantes, como Presidente do Conselho Metropolitano de Brasília e Vice-presidente da Região V, Márcia manteve-se fiel ao trabalho com a FAMVIN. Entre 2022 e 2026, integrou a diretoria do Conselho Nacional do Brasil da SSVP e atuou como representante da Sociedade no Conselho Nacional da Família Vicentina do Brasil (FAVIBRA). Sobre esse período, destaca: “Foram muitos desafios e também muitos aprendizados, que fortaleceram minha espiritualidade e me fizeram insistir na missão de servir aos Pobres e não deixar o carisma morrer”.
A nomeação ocorreu em 9 de dezembro de 2025, após o afastamento do então coordenador, padre Edson Friedrichen, que passou a se dedicar integralmente à peregrinação das relíquias de São Vicente de Paulo pelo Brasil. Sem um processo eletivo formalizado, a escolha seguiu a tradição da FAVIBRA. “Foi um processo simples, conduzido com muita oração e disponibilidade de todos os membros em servir”, relata.
Márcia foi escolhida pela maioria dos integrantes do Conselho, em reconhecimento à sua trajetória de serviço, marcando pela primeira vez a escolha de uma leiga vicentina para conduzir a articulação nacional da Família Vicentina no Brasil. Para ela, trata-se de um chamado que nasce da disponibilidade em servir: “Foi um processo simples, de muita oração e de escuta, no qual todos se colocaram à disposição da missão”.
Como coordenadora, Márcia afirma colocar-se a serviço de todos os ramos da Família Vicentina. “Minha atribuição é animar e motivar, intensificando os laços de fraternidade, aprofundando o carisma vicentino à luz dos apelos de hoje e respeitando a autonomia e a especificidade de cada grupo”, explica.
Entre suas missões estão ainda o incentivo à formação conjunta, o desenvolvimento de projetos comuns de serviço aos Pobres e a valorização da experiência de cada ramo na vivência concreta da herança vicentina. Já entre seus anseios, Márcia destaca o desejo de contribuir para uma Família Vicentina cada vez mais unida e colaborativa, especialmente nas bases. “Desejo que ações concretas de serviço aos Pobres sejam desenvolvidas conjuntamente em todas as regiões do Brasil, em sintonia com as prioridades do Comitê Internacional”, afirma, destacando o fortalecimento e a ampliação do Projeto 13 Casas. Márcia também ressalta a importância de organizar a estrutura da FAVIBRA, definir novas estratégias de trabalho comum e buscar parcerias para viabilizar os projetos.
Sobre a relação com a SSVP, ela reforça a relevância da Sociedade nesse caminho de unidade: “Conto com a colaboração da SSVP pela sua capilaridade territorial, potencial de mobilização, apoio financeiro aos projetos e, sobretudo, pela prioridade conferida aos trabalhos da FAVIBRA”.
Ela resume o espírito que deseja imprimir à sua missão com uma frase que se tornou marca de sua caminhada: “Unidos, em Família Vicentina, somos mais fortes e potencializamos nossos serviços em benefício dos nossos Mestres e Senhores”. Ao assumir a coordenação, Márcia pede as orações de todos nesta nova jornada de serviço, “para honra e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
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