“A palavra convence, mas o exemplo arrasta.” O famoso ditado popular poderia resumir a história de Edson Gonçalves de Oliveira, 52 anos, da Conferência São José, em Divinópolis/MG. Casado com Andréa há 25 anos e pai de Flávia (24 anos), Gabriel (20) e Mariana (18), ele não precisou de grandes discursos para ensinar aos filhos os valores que considera essenciais. Bastou viver com eles aquilo em que acredita.
Trabalhador, simples e sempre disposto a ajudar, Edson construiu sua trajetória entre o trabalho, a família e a vida vicentina. “Eu acho que é a questão do caráter, do valor, de você saber chegar em qualquer lugar. Se tem pessoas que você não gosta, mas você está ali, se apresentar bem para as pessoas e ter um bom diálogo”, conta Flávia. Para ela, o pai ensinou, sobretudo, a olhar para as pessoas sem fazer distinção. “Meu pai vai tratar desde uma pessoa muito rica até uma pessoa que está em situação de rua da mesma forma. E você vê o carinho, o amor que ele tem”, define.
A vida de Edson sempre foi de trabalho. Ele conta que fez “um tiquinho de cada coisa”: mexeu com carvão e lenha, trabalhou com caminhão e transportou lenha para siderúrgicas e fábricas. Durante muitos anos, a rotina começava de madrugada e terminava à noite.
“Como a rotina de trabalho era pesada, eu saía muito de madrugada e chegava muito à noite. Então tinha dias que a gente, mesmo dentro de casa, a gente não se via. Então, eu levava eles no caminhão. A Flavia começou cedinho, com seis anos, por aí e dividia até marmita comigo. Eram tempos bons”, lembra.
Ensinamento
Na comunidade onde Edson foi criado, a caridade fazia parte da rotina. Sua mãe participava da Sociedade de São Vicente de Paulo e foi também por influência dela que ele conheceu a vida vicentina ainda jovem. Depois de um período afastado, retornou à Conferência São José, em Tavares, um distrito rural da cidade, já adulto, casado e com os filhos pequenos. E fez questão de levá-los consigo.
Edson não apenas levava os filhos para as reuniões: fazia questão de que conhecessem a realidade das pessoas e aprendessem a importância de servir. Uma das lembranças mais fortes aconteceu quando eram pequenos. Diante de reclamações e desperdício de comida em casa, Edson levou as crianças ao “lixão” para conhecer uma realidade muito diferente daquela que viviam. “Foi uma coisa que ficou marcada na minha cabeça. Hoje eu vejo que outras pessoas que não passaram pelo mesmo não têm essa consciência. Não dão o devido valor às coisas”, conta Flávia.
Outra lembrança que ganhou novo significado com o passar dos anos foi a ajuda que o pai prestava a dois casais de idosos da comunidade. Eles caminhavam até a igreja, mas tinham dificuldade para voltar para casa à noite. Como Edson era uma das poucas pessoas da comunidade que tinha carro, levava os idosos depois da celebração, enquanto sua família ia a pé.
“Na época, eu achava muito ruim. Não gostava. Criança, na época. Mas hoje eu vejo que é um gesto que ele já fazia de caridade com aquelas pessoas. Eles queriam ir à igreja, estar na presença de Jesus, e não tinham condição. Então ele fazia isso”, recorda orgulhosa. É assim que Flávia percebe a influência do pai em sua própria vida. “Ele ensinou muito na prática”, resume.
Aprendendo a servir
A escolha de Edson de levar os filhos para a SSVP acabou fazendo da vida vicentina uma experiência familiar. Hoje, os três continuam envolvidos com a Sociedade. Flávia atua como secretária da Conferência e é Coordenadora da Comissão de Jovens do Conselho Metropolitano de Divinópolis. Mariana auxilia a irmã como segunda secretária. Gabriel é membro da Conferência do pai, Presidente de outra e coordenador de CCA do Conselho Central Divinópolis Suburbano.
Para Edson, mais importante do que deixar bens materiais para os filhos é ajudá-los a seguir um caminho de fé e de boas escolhas. “O crescimento espiritual e o resto é material. A gente corre atrás”, afirma. Seu desejo é que os filhos cresçam “em estatura e sabedoria divina”, ensinamento que ele próprio recebeu da mãe.
Na visão de Flávia, foi justamente essa coerência entre o que o pai acredita e o que faz que tornou seus ensinamentos tão fortes. “Ele tem muito esse olhar do próximo. De olhar mesmo com amor, com respeito para outra pessoa, mesmo que a pessoa possa ter cometido alguma coisa grave, algum erro. Ele não vai deixar esse erro passar na frente das decisões dele a respeito de como tratar essa pessoa. E eu vejo isso muito nele.”
Ser filha de um Vicentino também significou aprender a dividir o pai com outras pessoas. Em alguns momentos, Flávia e os irmãos chegaram a sentir ciúmes quando Edson e a esposa dedicavam atenção a outras crianças ou quando ele passava fins de semana ajudando alguém. Hoje, ela entende que aquilo também fazia parte da maneira como os pais ensinavam o amor.
Atualmente, Edson está envolvido na construção da casa de uma família que enfrentava condições precárias de moradia. A iniciativa reúne Vicentinos de diferentes Conferências, que colaboram com materiais, recursos e trabalho para que a família tenha uma casa digna. “Às vezes, ele deixa de estar algum momento com a família, mas está ajudando outras pessoas”, reconhece Flávia.
E é justamente essa capacidade de se doar que ela considera um dos maiores legados do pai. “Pode ser pequeno para algumas pessoas. Mas é o que ele podia fazer. Então, a gente aprender a se doar para o outro, nem que seja o nosso tempo.”
Neste Dia dos Pais, Flávia não pede grandes coisas para Edson. Seu desejo é simples: saúde para que ele continue fazendo aquilo que ensinou aos filhos durante toda a vida. “Saúde para ele continuar fazendo esse trabalho maravilhoso que ele faz.”
Aos 52 anos, Edson segue trabalhando, pescando, jogando cartas com a família e, principalmente, servindo. Ao longo da vida, ensinou aos filhos que a fé não se resume às palavras e que a caridade não precisa de grandes gestos para transformar alguém.
Talvez seja por isso que, para Flávia, o melhor retrato do pai não esteja em uma frase que ele tenha dito, mas em tudo aquilo que ela viu acontecer diante dos próprios olhos.
Porque, na vida de Edson, a palavra até convenceu. Mas foi o exemplo que arrastou... e continua arrastando seus filhos pelo caminho da fé, da caridade e do serviço.
Edson com a esposa Andréa e os filhos Gabriel, Flávia e Mariana
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