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Encontro em Juiz de Fora reúne 105 dirigentes e colaboradores de Obras Unidas da Região 2

A formação, que teve gestão, normas e prevenção jurídica entre os temas, faz parte de um projeto do Conselho Nacional do Brasil que vai passar por todas as Regiões do país

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Escrito por Ricaella Inocente

24 SET 2026 - 09H00

Entre 18 e 20 de setembro, 105 pessoas se reuniram no Centro de Formação de Liderança Cristã (Ceflã), em Juiz de Fora/MG, para o Encontro das Obras Unidas da Região 2 da SSVP Brasil. Participaram dirigentes vicentinos e coordenadores administrativos das Obras Unidas, as unidades da SSVP que mantêm serviços permanentes, como as Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILPIs), conhecidas nas comunidades como Lares Vicentinos. Durante três dias, o grupo participou de formações sobre gestão, governança, normas sanitárias e trabalhistas, prevenção jurídica e identidade institucional.

O encontro faz parte de um projeto do Conselho Nacional do Brasil (CNB) que será realizado em todas as Regiões ao longo da atual gestão. A primeira edição foi em agosto, com as Obras Unidas das Regiões 6 e 7. Com a etapa da Região 2, o projeto continua a avançar e deve chegar às demais Regiões nos próximos anos. Por isso, as edições não têm um tema próprio. A proposta é oferecer uma formação única, voltada ao fortalecimento da gestão, à qualificação dos serviços e à vivência do carisma vicentino nas Obras Unidas.

Seis temas definidos a partir da realidade das Obras

A programação foi organizada em seis temas: Gestão e Governança; Relações com a SSVP; Aspectos Sanitários, Medicina e Segurança do Trabalho; Padronização de Procedimentos; Prevenção Jurídica; e Uso da Marca da SSVP.

Os temas foram escolhidos a partir das principais necessidades observadas pelo Departamento de Normatização e Orientação (Denor) do CNB nas visitas às Obras Unidas de diferentes Regiões, além das demandas que chegaram ao CNB. Segundo a organização, o objetivo foi oferecer orientações práticas e preventivas para desafios que se repetem na gestão, na adequação às exigências legais, na organização dos procedimentos e no fortalecimento da identidade institucional. Cada Obra tem sua própria realidade, mas a troca de experiências e a formação conjunta ajudam a construir caminhos mais seguros e padronizados.

A Região 2, como as demais Regiões do Brasil, enfrenta limitações financeiras, falta de lideranças dispostas a assumir funções de direção, necessidade de aprimorar os processos administrativos e a permanência de compreensões históricas equivocadas sobre o papel das Obras como ILPIs. Somados, esses fatores podem agravar dificuldades já existentes e comprometer a oferta de um atendimento qualificado, seguro e alinhado às exigências legais e aos princípios da SSVP.

Wander Inácio de Souza, Presidente do Conselho Metropolitano (CM) de Governador Valadares/MG e membro da Conferência São José, elogiou o conteúdo e a organização da programação. "As palestras abordaram temas importantes sobre governança, administração, cumprimento das normas e prevenção de problemas jurídicos. Destaco o tempo destinado a cada palestrante, pois todos tiveram tempo suficiente para esclarecer cada tema proposto", avalia.

Espiritualidade e fraternidade na programação

Além da formação técnica, a programação incluiu a Santa Missa, a Adoração ao Santíssimo Sacramento e uma confraternização entre os participantes.

Por ser um encontro de caráter técnico e formativo, a organização não destaca um único momento como o mais importante. Todos os temas têm peso estratégico para o funcionamento das Obras, por contribuírem para a gestão, a prevenção de riscos e o cumprimento da legislação brasileira e das normas da SSVP. Segundo a organização, a integração entre dirigentes e colaboradores, somada à espiritualidade e à convivência, favoreceu o diálogo e o compromisso conjunto com a missão vicentina.

Celina Marília Diniz Araújo, 1ª Vice-Presidente do CM de Ouro Preto/MG, de Ouro Branco/MG, conta que foi ao encontro para reunir informações e repassá-las ao CM. Ela também quis incentivar a participação de gestores e funcionários das Obras Unidas, porque o evento oferecia conhecimento importante para o bom desempenho dos Lares. "Excelente. Ótimas palestras, ficou claro como devemos proceder. Tivemos estreitamento de conhecimento com o CN. Fomos muito bem recebidos, com um carinho que sempre está presente na Família Vicentina", resume.

Caridade e gestão responsável caminham juntas

Para Wander, a vocação vicentina foi o principal motivo para participar, ao lado da vontade de ampliar conhecimentos. "Assim, mais bem preparado, posso ajudar os amigos vicentinos dirigentes das Obras Unidas a enfrentarem os desafios da gestão, garantindo que nossos Lares cumpram sua missão de acolher e cuidar das pessoas idosas com dignidade e fidelidade aos princípios da nossa amada SSVP", explica.

Ele diz que volta para a região com uma convicção mais firme. "A consciência de que a boa vontade e a caridade precisam caminhar juntas com uma gestão responsável e organizada", afirma. Para ele, a governança, as responsabilidades dos dirigentes, a observância das normas aplicáveis às ILPIs e os cuidados jurídicos são fundamentais para aperfeiçoar as práticas administrativas e torná-las "cada vez mais seguras, transparentes e alinhadas às orientações da SSVP". Na prática, ele vai promover um momento para compartilhar as orientações recebidas com as diretorias das Obras Unidas e dos Conselhos Centrais (CC).

"É sempre muito importante participar desses encontros, pois aprimoramos nosso aprendizado e ampliamos nossos conhecimentos. Especificamente, este encontro reforçou em mim a certeza de que precisamos conciliar o espírito de caridade que nos move com uma gestão cada vez mais profissional, transparente e responsável", completa.

Em Ouro Preto, o plano é que o CM, por meio do seu Denor, promova reuniões para resolver problemas de acordo com a Regra da SSVP, "valorizando sempre as boas práticas do bem-estar dos nossos idosos, que é o objeto principal dos trabalhos com as Obras Unidas, dentro da Regra SSVP e leis vigentes no País", afirma Celina.

Próximos passos

As Obras Unidas da Região 2 foram incentivadas a transformar as orientações recebidas em ações concretas, de acordo com a realidade de cada uma. Entre os objetivos estão adotar procedimentos mais padronizados, fortalecer o cumprimento das normas legais e institucionais e valorizar a identidade vicentina. A expectativa é que cada Obra avance para uma gestão mais organizada, segura e eficiente, sem perder de vista o essencial de sua missão: o exercício da caridade cristã.

Ivaldo de Moura Evangelista, Coordenador Nacional do Denor e responsável pelo encontro conta também que "foi um encontro maravilhoso, marcado pela excelente participação do público durante toda a programação, o que nos enche de esperança e expectativa quanto à aplicação prática de tudo o que foi vivenciado e aprendido", afirma.

Ele reforça que a qualificação da gestão está a serviço de uma finalidade maior. "Esperamos que as Obras Unidas possam colocar em prática essas orientações, fortalecendo sua gestão, cumprindo as normas e exigências legais e, sobretudo, preservando a essência de sua missão. Afinal, não podemos perder de vista a razão do nosso existir: servir a Deus na pessoa dos fragilizados, abandonados e sofredores", diz. "Que esse encontro produza frutos concretos e contribua para que nossos Lares Vicentinos continuem exercendo a caridade com zelo, responsabilidade, competência e fidelidade ao carisma de São Vicente de Paulo e propósitos do Beato Frederico Ozanam."

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