Código Personalizado
Seu Site
Notícias

Quando ser mãe também é aprender a servir

Três gerações, um mesmo chamado: cuidar o Pobre, se doar e se colocar no lugar do outro

Linkedin

Escrito por Marina Prado

10 MAI 2026 - 07H00

Neste Dia das Mães, queremos homenagear todas as mães vicentinas e assistidas do nosso Brasil. A história de Marilda, Fernanda e Ana Luíza, de Paracatu, nos lembra que maternidade não é apenas gerar! É transmitir valores que atravessam gerações. E, quando esse amor encontra o serviço vicentino, ele deixa de ser apenas herança e passa a ser missão.

Fernanda da Silva Rosa, 38 anos, aprendeu a ser mãe antes mesmo de entender completamente o que isso significava. Mas, na verdade, sua história de maternidade começa antes, nos passos firmes e no exemplo de sua mãe, dona Marilda, e hoje segue viva nos gestos da filha, Ana Luíza.

Fernanda praticamente nasceu dentro da Sociedade de São Vicente de Paulo e, com um ano, quando ainda era bebê de colo, já acompanhava os pais nas reuniões da Conferência Nossa Senhora de Fátima. “Não era uma escolha nossa levar as crianças, era necessidade. Mas, com o tempo, aquilo que começou como rotina virou identidade deles”, lembra dona Marilda.

A filha Fernanda tem uma visão muito parecida: “Comecei pequena, acompanhando eles, e eu fui tomando amor de ver meu pai e minha mãe servindo. Aos 10 anos, já estava decidida a ser vicentina”, lembra.

A semente

Marilda da Silva Rosa tem 69 anos, 43 de casamento e uma vida inteira dedicada à família e à missão vicentina. Entrou na Sociedade ao lado do marido, Américo, quando os três filhos ainda eram pequenos. Fernanda, a caçula, era apenas um bebê de colo.

O sonho de Marilda sempre foi ser mãe, e ela o realizou logo depois do primeiro ano de casada, optando por vivenciá-lo em sua plenitude, dia a dia. Ela cuidava da casa e das crianças e as educava sem romantizar a maternidade. “Eles davam trabalho, como toda criança. Eu corrigia quando precisava, mas sempre com carinho. Me lembro de andar com eles, passear, ir à igreja. Porque eles cresceram também dentro da igreja, né? Hoje isso é um sonho também realizado, ter criado eles assim. Hoje a gente vê os filhos crescerem, às vezes, pro mundo. E os meus filhos, graças a Deus, não. Estão no caminho de Deus até hoje”, recorda.

A criação das crianças foi simples: elas iam junto para as reuniões da Conferência Nossa Senhora de Fátima, cresciam no meio das visitas às famílias assistidas. Dentro da vivência vicentina, Marilda encontrou ferramentas que marcaram sua forma de ser mãe. “Se a gente não fosse vicentino, talvez não tivesse tanta paciência, tanta humildade para criar nossa família… Foi isso que eu ensinei pra eles. Eles sabem dividir, se doar, ajudar, se colocar no lugar do outro, e isso fica de qualquer jeito, mesmo que saiam da Sociedade. São valores que aprenderam”, pontua.

Hoje, ao olhar seus filhos adultos e seus quatro netos, inseridos na comunidade católica e com valores sólidos, ela reconhece: “Eu sou uma mãe realizada porque, graças a Deus, têm dois que não vão mais à Conferência, mas todos são pessoas de dentro da comunidade, né? Eu pediria que continuasse assim, que nada mudasse. Que a gente seguisse a família perseverante que a gente foi até aqui”.

Mas o que mais emociona Marilda não é apenas o passado, é o que continua florescendo através de sua filha e de sua neta, Ana Luíza.

Ver a filha e a neta seguirem o mesmo caminho na Conferência Nossa Senhora de Fátima não é apenas motivo de orgulho. É a certeza de que o que foi plantado permaneceu.

Os frutos

Crescer dentro da SSVP fez com que Fernanda aprendesse cedo que amar é agir. Em suas próprias palavras, ela não apenas acompanhava os pais, ela os observava. “Via o exemplo deles, o cuidado com as famílias, a atenção aos mais necessitados, o jeito simples e verdadeiro de servir. E aquilo foi criando raízes. Aos 10 anos, decidi que não queria apenas estar ali, queria ser vicentina”, conta.

Permaneceu na mesma Conferência da mãe, firme, constante. Mas a vida, como tantas vezes acontece, trouxe um inesperado e uma difícil escolha. Aos 18 anos, Fernanda descobriu que seria mãe.

Naquele momento, muitos caminhos que estavam desenhados precisaram ser deixados para trás. “Havia passado na faculdade de Psicologia, em outra cidade. Tinha planos, sonhos, mas, diante da gravidez, fiz uma escolha. Resolvi ser materna, cuidar do meu bem maior”, recorda ela, que hoje cursa Pedagogia já se formou no curso técnico de mineração.

Desistir desse “futuro imediato” não foi uma escolha sem peso. Foi uma renúncia concreta. Fernanda abriu mão da faculdade naquele momento. Abriu mão de ir embora, de experimentar o novo, de viver uma juventude mais leve. Em troca, abraçou a responsabilidade, o cuidado, a presença da maternidade.

E não bastassem as dificuldades normais de uma gravidez na juventude, ela enfrentou uma gestação de risco, quando, aos seis meses, sua placenta descolou e lhe foi exigido repouso. Mas nem assim Fernanda abriu mão daquilo que também a sustentava: a missão vicentina.

“Quando eu descobri que estava grávida, tive muito apoio tanto do meu pai quanto da minha mãe. Meu pai era parceiro, de estar junto, me acompanhou nas minhas consultas, a minha gestação inteira. A minha mãe foi uma avó muito presente na vida da minha filha e, ao mesmo tempo, era bem rígida comigo, de cobrar, de falar: ‘Você que é mãe, eu sou a avó’. Então, foi um susto muito grande para nós, mas veio trazer união para nossa família. Minha filha foi um presente de Deus. Mudou tudo. A Conferência também me abraçou, mostrando que ali também era a minha família. De jeito nenhum eu abandonei a Conferência.”

Hoje, Fernanda está casada com Mateus há 10 anos e, além de Ana Luíza, de 21 anos, tem Maria Alice, de 4 anos. As duas foram à Conferência desde a barriga. “Eu levava a Ana Luíza pequenininha no Lar Vicentino da cidade para conversar com os idosos, e ela chamava eles de vovôs, porque melhor do que ensinar ela falando era ela viver esse amor, essa doação... Ela sempre participou e faço isso com a Maria Alice.”

Foram gravidezes diferentes, mas a criação das meninas acontece dentro dos mesmos valores ensinados pela mãe. “Além de tudo o que aprendemos com ela, de valores mesmo, lembro de sentarmos com ela na hora do almoço para ver televisão. Esse era o nosso momento com a nossa mãe. E hoje, como mãe, eu desejo que, conhecendo a Sociedade de São Vicente de Paulo, elas não se percam. Eu ensino pra elas que servir ao próximo é muito mais importante do que ser servido. Esse legado que eu sempre deixo aqui pras duas, em qualquer hipótese. Então, eu falo para elas que o mais importante é se doar. É se entregar ao outro sem medida. Então, eu espero que, ao longo dessa trajetória da vida delas, elas mais se doem do que recebam”, finaliza.

E parece que os desejos de Fernanda estão garantidos nas futuras gerações e nas mamães que virão em sua família. Ana Luíza segue à risca os passos da avó e da mãe. Frequenta a mesma Conferência das duas e hoje é tesoureira na gestão da avó, mostrando que o cuidado também acontece com a SSVP e não só com os Pobres.

Ela carrega consigo, de maneira muito consciente, uma vocação existente nas mulheres de sua família mesmo antes de nascer: servir e não ser servida.

Filha de uma mãe que foi mãe cedo e neta de uma mulher que nunca desistiu de servir, ela teve em casa o exemplo que a fez traçar sua personalidade e, quando perguntada sobre o maior ensinamento que recebeu dessas mulheres vicentinas, responde com simplicidade: “Ter perseverança. Seguir o caminho de Deus.”

Servir nessa família não se trata apenas de continuar uma tradição, mas sim de viver um propósito, uma missão.

E esse propósito já começa a alcançar uma nova geração. A pequena Maria Alice, de apenas 4 anos, acompanha a mãe e a irmã, do mesmo jeito que Fernanda um dia acompanhou Marilda.

O ciclo continua e ainda deve ir mais longe no que depender de Ana Luíza. No dia em que ela for mãe, vai dar aos filhos a mesma educação e exemplo que recebeu da mãe e da avó: criar na fé, no serviço e dentro da SSVP.



As três gerações de mulheres vicentinas frequentam a Conferência Nossa Senhora de Fátima, em Paracatu/MG

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Reportar erro!

Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Marina Prado, em Notícias

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Enviar por e-mail