Entre as cerca de 80 atrações da 39ª edição do Hallel, um dos maiores festivais católicos de música e evangelização da América Latina, houve um espaço onde ninguém subiu ao palco. De 5 a 7 de setembro, no Parque de Exposições Fernando Costa, em Franca/SP, a Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) manteve um estande no módulo dedicado às vocações e passou três dias fazendo aquilo que define o carisma vicentino em qualquer outro lugar: conversar com quem chega.
A edição de 2026 do Hallel foi realizada de 4 a 7 de setembro, com o tema "Eu sou o caminho, a verdade e a vida", entrada gratuita e cerca de 3 mil pessoas envolvidas na organização, segundo a comissão organizadora. A programação reuniu shows, pregações, adoração e mais de 20 missas, distribuídas entre o palco central e mais de dez módulos com atividades simultâneas.
"Para nós, foi muito mais do que simplesmente estar em um espaço de divulgação. Foi uma verdadeira missão de levar o carisma vicentino para dentro de um evento tão grande", afirmam Larissa Vitória Xavier Castro, Caio Henrique da Silva e Ana Carolina Souza Rocha.
Larissa é Coordenadora da Comissão de Jovens (CJ) do Conselho Particular (CP) Franca Santa Rita e integra a Conferência Nossa Senhora de Lurdes. Caio é Vice-Presidente da Conferência São Lucas, e Ana Carolina preside o CP Franca Santa Rita, também pela Conferência São Lucas. Os três são vinculados ao Conselho Central (CC) de Franca.
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A presença vicentina no Hallel não veio de convite da organização nem de tradição antiga. Começou no ano passado, por iniciativa da CJ de Franca, a partir de um raciocínio simples: se o festival reúne pessoas de diferentes cidades e regiões, valeria a pena levar até lá a Sociedade.
"Se tantos católicos estarão reunidos ali, por que não levar também a SSVP para que essas pessoas possam conhecer o nosso carisma e descobrir que existe uma forma concreta de viver a fé por meio da caridade?", relatam os entrevistados.
Na edição deste ano, cerca de 30 vicentinos de diferentes unidades e regiões participaram da organização e da atuação no estande. "Foi muito bonito ver pessoas de diferentes lugares se unindo pelo mesmo propósito e mostrando que o carisma vicentino nos une."
O material levado foi pensado para durar mais do que o tempo da conversa: um panfleto de divulgação com QR Code que dava acesso a uma revista explicativa sobre a Sociedade e exemplares do Boletim Brasileiro, escolhidos para mostrar que a rede de caridade funciona o ano inteiro, e não apenas em campanhas pontuais.
O público que parou no estande foi mais diverso do que a equipe esperava: pessoas que já foram vicentinas, pessoas que são vicentinas hoje e pessoas que nunca tiveram contato com a Sociedade.
"Algumas já conheciam o nosso trabalho e compartilhavam suas experiências; outras tinham apenas uma lembrança ou uma ideia sobre o que era a Sociedade; e algumas estavam conhecendo a SSVP pela primeira vez", contam os três. "Conseguimos conversar tanto com quem já fazia parte da nossa história quanto com quem poderia fazer parte dela no futuro."
A pergunta mais repetida foi também a mais elementar: "O que é a SSVP?" ou "O que vocês fazem?". Aparentemente simples, ela abriu espaço para desfazer a associação automática entre trabalho vicentino e arrecadação de alimentos.
"Muitos jovens se surpreendem quando descobrem que nosso trabalho vai muito além da ajuda material. Existe uma preocupação em conhecer a realidade de cada pessoa, estabelecer vínculos e acompanhar as famílias", explicam. "Quando explicamos que existe uma dimensão de amizade, espiritualidade, visita e acompanhamento, elas começam a enxergar a Sociedade de uma maneira diferente."
Para os entrevistados, é justamente aí que está uma das marcas mais bonitas do carisma vicentino: "nós não queremos simplesmente fazer algo para o outro, mas caminhar com o outro".
Num evento que mobiliza cerca de 3 mil pessoas na organização, explicar a diferença entre voluntariado e vocação vicentina virou tarefa prática de quem estava no estande.
"O voluntariado pode ser uma forma de oferecer o nosso tempo para uma determinada ação ou causa. Já na SSVP, existe um chamado mais profundo: o desejo de viver a fé através do serviço ao próximo e do encontro com Cristo na pessoa que sofre", respondem. "Ser vicentino é assumir um compromisso de vida. É visitar, escutar, criar vínculos, conhecer a realidade do outro e caminhar junto com ele."
A distinção, segundo eles, está menos no que se faz e mais no lugar que aquilo ocupa na vida de quem serve: "Não é apenas perguntar 'o que eu posso fazer por você?', mas também reconhecer a dignidade daquela pessoa e enxergar nela o próprio Cristo. O serviço não é apenas algo que fazemos; ele passa a fazer parte de quem somos."
O festival terminou em 7 de setembro, mas a equipe considera que a parte mais importante começa agora. Pessoas deixaram contato e demonstraram interesse em conhecer melhor a Sociedade, e o próximo passo é apresentar a elas as possibilidades concretas de participação nas Conferências e nas atividades vicentinas.
"Acreditamos que não basta despertar a curiosidade de alguém. É importante oferecer um caminho para que essa pessoa possa conhecer de verdade o nosso carisma e, se sentir esse chamado, encontrar um espaço para vivê-lo", afirmam.
Para a próxima edição, a avaliação interna já aponta dois ajustes: ampliar a interação com o público por meio de atividades mais dinâmicas, que proporcionem uma experiência com o carisma vicentino em vez de apenas informação, e fortalecer a preparação dos jovens que ficam no estande — não só para falar sobre a SSVP, mas principalmente para acolher, ouvir e estabelecer diálogo.
Perguntados sobre o que a Sociedade ganha ao estar num evento desse porte, os três descartam a resposta óbvia.
"A SSVP ganha muito mais do que visibilidade. Ela ganha a oportunidade de estar onde as pessoas estão", dizem. "O maior ganho é poder mostrar que a fé pode sair do discurso e se transformar em atitude, proximidade e amor ao próximo."
E concluem com a imagem que resume a participação: "Talvez uma das pessoas que passou pelo nosso estande nunca tivesse ouvido falar da SSVP. Talvez tenha levado apenas um panfleto para casa. Talvez tenha acessado a revista pelo QR Code. Mas aquele pequeno contato pode despertar uma curiosidade, uma vontade de conhecer ou até mesmo um chamado para servir. Nós não sabemos exatamente onde cada semente vai chegar, mas sabemos que vale a pena semear."
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