Aproximadamente 250 pessoas participaram da 4ª Romaria das Juventudes Vicentinas, realizada de 4 a 6 de setembro de 2026 no Santuário do Caraça, em Minas Gerais. O sábado, 5 de setembro, concentrou a programação completa do encontro, que reuniu jovens de seis ramos da Família Vicentina.
A Romaria foi organizada pelo Pe. Ramon Aurélio Jr. da Cunha, da Congregação da Missão (CM) e Assessor espiritual do Conselho Metropolitano de Ouro Preto, junto a lideranças dos ramos envolvidos: a CM, a Companhia das Filhas da Caridade, o Instituto das Irmãs de São Vicente de Paulo, Servas dos Pobres de Gijzegem (ISVPG), a Juventude Mariana Vicentina (JMV), a Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) e os Missionários Leigos Vicentinos (MISEVI).
O tema do encontro nasceu da Campanha da Fraternidade de 2026, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que tem como lema "Ele veio morar entre nós" e propõe à Igreja no Brasil a reflexão sobre o direito à moradia digna.
"O tema do encontro foi pensado a partir do tema da Campanha da Fraternidade, com a ideia de unir as juventudes a serviço dos nossos mestres e senhores", explicam Juliene de Paula Rufino Gomes e Ana Luísa da Silva Andrade, coordenadoras da Comissão de Jovens (CJ) das Regiões 2 e 1, respectivamente. Na tradição vicentina, "mestres e senhores" é a forma como se designam as pessoas em situação de pobreza, a quem o serviço é dirigido.
Para as coordenadoras, o valor do encontro está no encontro em si. "Conhecer as histórias, experiências e atividades dos outros ramos, a fim de promover uma grande interação entre eles, pois é o mesmo carisma que inspira as diversas identidades juvenis", definem.
A programação do dia 5 começou às 8h, com o credenciamento no bosque do Santuário, seguido da acolhida, às 8h45. Às 9h, os participantes percorreram a Trilha da Caridade, novidade desta edição, e às 11h foi celebrada a Missa. A foto oficial e o almoço fecharam a manhã.
Segundo as coordenadoras, esses foram os dois pontos altos da Romaria. A Trilha da Caridade permitiu "conhecer mais da existência, vivência e origem dos diversos ramos presentes na romaria, trazendo identificação e aproximação entre os jovens ali presentes". A Missa, por sua vez, "é o coração e o ponto culminante de toda experiência espiritual e comunitária, sendo o elo dos jovens com Deus, ali renovando o compromisso não só com Cristo, mas com o espírito de São Vicente a guiar os diversos caminhos inspirados nele".
O local da celebração tem peso histórico para a Família Vicentina no Brasil. Os primeiros missionários da Congregação da Missão desembarcaram no Rio de Janeiro em 28 de novembro de 1819 e chegaram ao Caraça em 15 de abril de 1820, com os padres Antônio Ferreira Viçoso e Leandro Rebelo Peixoto e Castro, para assumir o patrimônio deixado pelo Irmão Lourenço de Nossa Senhora.
"Para mim, dois momentos ápices: o primeiro, a Santa Missa, que marca esse momento para nós enquanto família, recebendo as relíquias no santuário, que é o berço, é o baluarte do carisma vicentino desde 1819, aqui com os padres chegando ao Brasil. E depois o momento da trilha, das partilhas, da feira vocacional que tivemos aqui", afirma Pe. Ramon.
A tarde foi dedicada a quatro oficinas simultâneas, cada uma conduzida por um ramo diferente: "Em versos e prosas, o Senhor habita no meio de nós", oficina de poemas, com Marcilio, da JMV; "Nas dobras da vida, Ele encontrou um lugar", oficina do guardanapo, com a Irmã Marcia Cruz, das Filhas da Caridade; "A espiritualidade por um fio: onde se entrelaça a esperança", oficina com cordão, com Rafael, da SSVP; e "Nós te acolhemos, como um hino de Sião", oficina de música, com Eliane, do MISEVI.
Às 14h50 os participantes viveram uma experiência de contemplação e, entre 15h30 e 16h30, percorreram os estandes dos ramos presentes, numa feira vocacional. O encerramento foi às 16h30.
"Eu não imaginava que tantos jovens de ramos diferentes pudessem estar presentes: MISEVI, JMV, vicentinos, Congregação da Missão, Filhas da Caridade, as Irmãs de Gijzegem. Uma coisa que me surpreendeu muito foi ver jovens do MISEVI, os missionários leigos, e ver que a romaria está dando frutos e atingindo diferentes ramos", diz o organizador. "Passar em cada estande e ver cada carisma, cada pessoa do carisma apresentando a sua espiritualidade a partir da espiritualidade de São Vicente, foi muito bonito de ver."
O nome do encontro é uma escolha deliberada, explica Pe. Ramon. "A nossa juventude é plural, por isso falamos dela no plural: Juventudes Vicentinas. Porque temos a juventude da Sociedade, a juventude da Congregação, a juventude das Filhas da Caridade e de outros ramos. E, juntos, se nós construirmos hoje um presente com as juventudes unidas, será muito mais fácil no futuro trabalharmos em prol dos mais Pobres."
Ele atribui o crescimento da Romaria à oração. "São Vicente diz que tudo na nossa vida é graça. Se vamos bem, é graças à oração. Tive ajuda de muita oração das pessoas, dos jovens da Família Vicentina. Tímidos num primeiro momento, nas edições anteriores, o Espírito esteve conosco, e este ano ainda mais fortificado pelos ramos."
E deixa o convite para a próxima edição: "Na próxima romaria, venham fazer a peregrinação de vocês, saírem da casa de vocês, uma Igreja em saída, e trazerem um padre para participar da Missa."
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