A fé e devoção a nossa Senhora Aparecida são mostradas de diferentes maneiras durante a Romaria Vicentina. Em todos os momentos, basta olhar para o lado para ver alguém emocionado, alguém feliz, alguém cantando, alguém em silêncio profundo rezando.
E a imagem de uma senhora em profundo silêncio no meio da multidão rezando no Caminho do Rosário, que chamou a atenção. Visivelmente emocionada, ela segurava uma fotografia entrelaçada em seu terço. Espero terminar o mistério que estava sendo rezado, só admirando aquela cena, e enquanto as pessoas caminhavam para a próxima parada me aproximo para conversar e conhecer a história daquela senhora tão compenetrada.
Dona Iracema de Santana Soares fez uma viagem de mais de 24 horas de ônibus para chegar de Cuiabá/MT a Aparecida. Aos 64 anos, perdeu as contas e acha que essa já é sua quinta Romaria. Pergunto sobre o que a move para percorrer uma distância tão grande para ir ao evento e ela responde de uma maneira muito tranquila, segurando a minha mão. “Eu gosto de vir aqui na Casa da Mãe, eu gosto de estar aqui no meio de todos os vicentinos, de vir na missa aqui em Aparecida, eu gosto de estar no meio mesmo das coisas de Deus”, disse.
Naquele momento, minha mão estava tomada pela dela e se misturava em seu terço e na foto que ela segurava enquanto rezada. Pedi para ela me contar que foto era aquela e qual a história por trás dela. “São da minha filha. Ela pediu para mim trazer essa foto (sic), para orar, para desembaraçar a vida dela. Ela trabalha, trabalha e continua embaraçada. Mas, com fé em Nossa Senhora Aparecida, vai dar tudo certo”, prevê, mostrando a foto da festa de casamento da filha.
Juventude em ação
Com os olhos brilhando de quem vê tudo pela primeira vez e quer aproveitar tudo ao máximo, encontro a jovem Patrícia Quarezemin, de Mirassol/SP. Seu “debute.” em Romarias Vicentinas tem um gostinho a mais: além de participar do maior evento vicentino do mundo, de ir mostrar sua devoção à Mãe, ela foi agradecer pela reativação de sua Conferência, a Santa Luzia.
Ela conta que entrou na SSVP em 2024, e se encantou com a juventude vicentina. “Eu sempre gostei de trabalhar com jovens, até porque sou catequista. Fui ao Fórum Nacional e ascendeu uma chama em mim. Mas, em 2025, entrei na faculdade e não conseguia mais ir nas reuniões da Conferência. Isso me deixou extremamente triste”, lembra.
Ela conta que alguns vicentinos da cidade comentavam com ela sobre uma Conferência de Jovens que havia sido desativada por conta da Pandemia de covid-19 e da ausência de jovens também. “Eles comentavam sobre reativar a Conferência. Eu queria muito, mas tinha medo, até pela falta de conhecimento. Até que resolvi tentar com ajuda de jovens de outra cidade e de vicentinos de Mirassol. Convidei dois amigos da faculdade, também católicos, e fomos indo aos poucos, chamando os jovens, mostrando a SSVP. Tínhamos medo deles não ficarem, mas sempre oramos e confiamos em São Vicente de Paulo e Nossa Senhora Aparecida. Hoje a Conferência Santa Luzia está aberta, se reúne aos sábados para que os jovens que fazem faculdade possam ir e já tem sete membros”, resume animada.
Patrícia ainda conta que levou à Romaria a foto dos adolescentes e jovens da Conferência. “Eu também sou catequista, então, eu trabalho com os jovens da igreja. Se você conseguir lidar com eles, escutá-los, então você consegue trazê-los mais pertinho de Deus. E esse trabalho tão lindo que é da SSVP, que ajuda os mais necessitados, eles estão adorando. Nunca souberam o que era o trabalho vicentino, mas eles estão adorando fazer parte. Ainda temos muito o que aprender, mas o que me fortalece é a perseverança dos jovens”, finaliza ela que hoje é presidente da Conferência.
Entrega à Maria
No final da Via Sacra, na descida do Morro do Cruzeiro, desce um homem de mãos dadas com uma criança. Pouco mais à frente, uma mulher vinha de sombrinha na mão para enfrentar o sol. Não consigo identificar o motivo, mas algo no semblante daquele homem me fez abordá-lo e querer conhecer sua história.
Era Fabrício da Costa, de Cornélio Procópio/PR. De maneira muito rápida, afinal estávamos atrapalhando a passagem de pedestres que desciam o Morro, ele conta o que sua família fazia ali. “Minha esposa participou do Movimento de Cursilhos de Cristandade e em um momento foi dito a ela: ‘um dia sua mãe te entregou a Maria. Hoje, você entrega sua Maria a Maria. Então a gente veio agradecer, porque minha esposa entregou a nossa Maria Olinda, que é a minha sogra, a Maria. E ela, graças a Deus, está vencendo a batalha do câncer aos 79 anos. É por isso que a gente está aqui hoje”, me conta Fabrício, antes de voltar a pegar a mão do filho rapidamente e desaparecer em meio às milhares de pessoas descendo o Morro.
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