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Assessoria Espiritual

Visitar é cuidar: Maria e a missão vicentina de ir ao encontro do outro

Na festa da Visitação de Nossa Senhora, a reflexão do padre Allan Júnio Ferreira, Assessor Espiritual do CNB, convida os vicentinos a contemplarem em Maria o verdadeiro sentido da visita domiciliar: servir com presença, cuidado e amor

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Escrito por Ricaella Inocente

30 MAI 2026 - 18H00

Ao visitar sua prima Isabel, Maria não esperou ser chamada nem colocou a si mesma no centro da missão recebida de Deus. Movida pela fé e pela caridade, colocou-se a caminho para cuidar de quem precisava. O gesto continua inspirando, ainda hoje, a vocação vicentina vivida nas visitas domiciliares realizadas semanalmente pelos membros da SSVP. O padre Allan Júnio Ferreira, Assessor Espiritual do CNB, propõe uma reflexão sobre como o cuidado, vivido com presença e amor, é o primeiro passo de todo serviço verdadeiramente cristão. O artigo reforça que a visita aos Pobres é mais do que assistência material: é encontro, escuta, permanência e expressão concreta da caridade.

Servir, cuidar e amar… sinônimos da Visitação de Nossa Senhora

Encerrando o mês de maio, mês dedicado a Nossa Senhora, a Igreja presta singelas homenagens a uma jovem que soube cuidar para servir. Maria é uma mulher chamada por Deus para assumir a vocação de ser mãe e discípula. Ela foi escolhida e preparada para esta missão, mas não para vivê-la somente para si; ao contrário, colocou-a a serviço dos outros.

A vocação de Maria é sustentada pela fé. A jovem de Nazaré, mesmo sem compreender todos os detalhes do chamado de Deus, dá o seu “sim” e o vive de maneira esperançosa e fiel. Deixa de lado os seus sonhos e projetos pessoais para acolher os sonhos e projetos de Deus para a sua vida, recebendo-os com alegria e fidelidade.

O anúncio do anjo marca o início da sua vocação (cf. Lc 1,28-38). O mensageiro de Deus anuncia a Maria um pouco do que seria a sua trajetória. O anjo tece elogios àquela que encontrou graça diante de Deus, porque a sua vida manifesta as virtudes do próprio Senhor. Diante de tal mensagem, Maria não se envaidece nem se deixa dominar pela soberba e pelo orgulho. Pelo contrário, preocupa-se com algo que julga essencial naquele momento: cuidar da sua prima Isabel.

Sim, Maria não olha para si e nem se ocupa apenas em pensar na grande missão que acabara de receber. Assim que soube que Isabel necessitava de cuidados, não pensou duas vezes e colocou-se em prontidão para servir (cf. Lc 1,39-45).

Podemos imaginar o que se passava na mente e no coração de Maria naquela longa caminhada até a casa de Isabel. Ela já estava grávida de Jesus; Isabel, por sua vez, encontrava-se no final da gestação de João Batista, ambas vivendo concepções milagrosas. Para além do parentesco, existia entre elas o amor e, em Maria, o profundo desejo de servir com cuidado e atenção, sem contar o tempo nem se preocupar com as dificuldades do serviço.

“Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa” (Lc 1,56). Permaneceu ali até perceber que sua prima estava bem e já não precisava mais dela.

O que os vicentinos podem aprender com a Visitação de Nossa Senhora? Alguns pontos para nossa reflexão:

  • A vocação vicentina é essencialmente missionária. Ela nasce do desejo de servir os Pobres. Por isso, o confrade e a consócia não podem esquecer que a caridade é a marca fundamental do cristão e do vicentino.
  • A visita aos Pobres deve revestir-se de uma verdadeira mística. Não é apenas um momento de sindicância ou averiguação. É o encontro com Jesus Cristo presente nos pobres.
  • Maria nos ensina que, na visita aos pobres e sofredores, não devemos nos preocupar com o tempo, mas permanecer ali — naquela casa ou naquela situação — enquanto houver necessidade.
  • Assim como Maria, o vicentino é chamado a sair de si mesmo, ir ao encontro do outro e transformar a presença em cuidado, acolhimento e amor.

Que a visitação de Nossa Senhora nos ensine que o nosso compromisso enquanto discípulos de Jesus Cristo é servir e cuidar dos que mais sofrem. Que Maria, a senhora da visitação, seja o exemplo para os nossos trabalhos e a nossa missão.

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Por Ricaella Inocente, em Assessoria Espiritual

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