Ao visitar sua prima Isabel, Maria não esperou ser chamada nem colocou a si mesma no centro da missão recebida de Deus. Movida pela fé e pela caridade, colocou-se a caminho para cuidar de quem precisava. O gesto continua inspirando, ainda hoje, a vocação vicentina vivida nas visitas domiciliares realizadas semanalmente pelos membros da SSVP. O padre Allan Júnio Ferreira, Assessor Espiritual do CNB, propõe uma reflexão sobre como o cuidado, vivido com presença e amor, é o primeiro passo de todo serviço verdadeiramente cristão. O artigo reforça que a visita aos Pobres é mais do que assistência material: é encontro, escuta, permanência e expressão concreta da caridade.
Encerrando o mês de maio, mês dedicado a Nossa Senhora, a Igreja presta singelas homenagens a uma jovem que soube cuidar para servir. Maria é uma mulher chamada por Deus para assumir a vocação de ser mãe e discípula. Ela foi escolhida e preparada para esta missão, mas não para vivê-la somente para si; ao contrário, colocou-a a serviço dos outros.
A vocação de Maria é sustentada pela fé. A jovem de Nazaré, mesmo sem compreender todos os detalhes do chamado de Deus, dá o seu “sim” e o vive de maneira esperançosa e fiel. Deixa de lado os seus sonhos e projetos pessoais para acolher os sonhos e projetos de Deus para a sua vida, recebendo-os com alegria e fidelidade.
O anúncio do anjo marca o início da sua vocação (cf. Lc 1,28-38). O mensageiro de Deus anuncia a Maria um pouco do que seria a sua trajetória. O anjo tece elogios àquela que encontrou graça diante de Deus, porque a sua vida manifesta as virtudes do próprio Senhor. Diante de tal mensagem, Maria não se envaidece nem se deixa dominar pela soberba e pelo orgulho. Pelo contrário, preocupa-se com algo que julga essencial naquele momento: cuidar da sua prima Isabel.
Sim, Maria não olha para si e nem se ocupa apenas em pensar na grande missão que acabara de receber. Assim que soube que Isabel necessitava de cuidados, não pensou duas vezes e colocou-se em prontidão para servir (cf. Lc 1,39-45).
Podemos imaginar o que se passava na mente e no coração de Maria naquela longa caminhada até a casa de Isabel. Ela já estava grávida de Jesus; Isabel, por sua vez, encontrava-se no final da gestação de João Batista, ambas vivendo concepções milagrosas. Para além do parentesco, existia entre elas o amor e, em Maria, o profundo desejo de servir com cuidado e atenção, sem contar o tempo nem se preocupar com as dificuldades do serviço.
“Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa” (Lc 1,56). Permaneceu ali até perceber que sua prima estava bem e já não precisava mais dela.
O que os vicentinos podem aprender com a Visitação de Nossa Senhora? Alguns pontos para nossa reflexão:
Que a visitação de Nossa Senhora nos ensine que o nosso compromisso enquanto discípulos de Jesus Cristo é servir e cuidar dos que mais sofrem. Que Maria, a senhora da visitação, seja o exemplo para os nossos trabalhos e a nossa missão.
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