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Quem forma quem serve: professores levam a sala de aula para a formação vicentina

Na Escola de Capacitação Antônio Frederico Ozanam (Ecafo), Jonas Mariano e Leni do Carmo Sousa transformam a experiência docente em serviço a outros vicentinos

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Escrito por Ricaella Inocente

15 OUT 2026 - 09H00

O Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, também é lembrado dentro da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP). Em Fortaleza/CE e em Mendes Pimentel/MG, dois professores, Jonas Mariano e Leni do Carmo Sousa, levam o que aprenderam na escola para as formações da Escola de Capacitação Antônio Frederico Ozanam (Ecafo). Eles ensinam vicentinos que querem servir melhor.

Uma escola para quem serve

A Ecafo é o Departamento responsável pela formação dos membros da SSVP e está presente em todos os Conselhos. Seu trabalho reúne formação cristã, espiritualidade vicentina e reflexão sobre justiça social, sob o lema “Formar-se bem para servir melhor”. Os módulos de Formação Básica e de Espiritualidade Vicentina são requisito para o aspirante ser proclamado membro de uma Conferência. Hoje, a coordenação nacional está com Willian Dimas da Silva Alves.

A Escola leva o nome de Frederico Ozanam que, anos depois de fundar a SSVP, foi professor de literatura estrangeira na Sorbonne, em Paris.

A aula como experiência

Professor desde 2019, Jonas é filósofo de perspectiva fenomenológica e leciona Filosofia, Ensino Religioso e competências socioemocionais. Tem especializações em Biotecnologia, Filosofia Clínica e Liturgia, além de pós-graduações em Psicologia aplicada ao Direito Penal e em Gestão de Projetos. Também cursa a graduação em Psicologia. É coordenador de Pastoral do Colégio da Imaculada Conceição, da Rede de Educação Vicentina, em Fortaleza. A instituição foi fundada em 1865 e completa 161 anos em 2026. Fora da escola, atua em palestras, encontros e rodas de conversa.

Jonas cultiva o carisma vicentino desde os cinco anos de idade, em outro ramo da Família Vicentina, e ingressou na SSVP em 2020. Quando integrava a diretoria de seu Conselho Central (CC), organizou palestras e encontros e recebeu o convite para integrar a equipe nacional de formação. Hoje é coordenador da Ecafo na Região VII e também atua na presidência do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) – Regional Nordeste 1, onde integra a comissão de Formação.

Nas formações, ele trabalha com novos membros, dirigentes e lideranças, em temas como carisma, espiritualidade, liderança e missão. Costuma apresentar uma situação que poderia acontecer em uma Conferência e perguntar: “O que vocês fariam?”. Também usa rodas de conversa, dinâmicas, vídeos, textos, cartas e imagens. Para ele, a experiência de quem tem muitos anos de Conferência também é conteúdo. Um símbolo, como uma vela acesa, às vezes diz mais sobre a espiritualidade do que horas de fala.

“Não estamos trabalhando com recipientes vazios que precisam ser preenchidos de conteúdo. Estamos diante de pessoas com histórias e experiências. A falta de informação e de educação também é uma forma de pobreza.”, explica Jonas Mariano.

Do magistério, ele diz levar “a escuta e a amizade” e a liberdade de perguntar. O objetivo, afirma, é formar pessoas que pensem, questionem e decidam com responsabilidade. Jonas aponta como maior desafio a falta de tempo e o diálogo com o mundo contemporâneo. “Tradição não é estagnação”, resume. Para ele, preservar o carisma não significa repetir os mesmos módulos, e sim “cultivar aquilo que é essencial e encontrar novas formas de vivê-lo”.

O que mais o toca, conta, não é o elogio a uma palestra, mas ouvir de um vicentino: “Eu fiquei pensando naquilo que você falou”. Também já acompanhou pessoas tímidas ou afastadas da Conferência que, com o tempo, passaram a assumir responsabilidades.

Da alfabetização à formação de secretários

Leni começou a ensinar ainda adolescente, ajudando colegas em Português e Matemática. Aos 16 anos, passou a dar aulas em uma escola municipal e, no ano seguinte, ingressou na rede estadual, onde trabalhou por 35 anos. Foi alfabetizadora, professora de Geografia e de História e atuou no Ensino Médio, com crianças, jovens e adultos. É formada em Magistério, Ciências Sociais e Pedagogia, pós-graduada em Geografia e especialista em Orientação Educacional.

Ela conheceu a SSVP acompanhando o pai, José Jerônimo de Souza, às reuniões de sua Conferência. Já são 45 anos de vida vicentina. Há cerca de 20 anos, começou a formar vicentinos na Ecafo, a convite de Helio Pinheiro. Ficou algum tempo afastada da função e voltou a convite do coordenador da Ecafo do Conselho Metropolitano (CM). Hoje é primeira secretária do CM de Governador Valadares/MG, orientadora da Conferência de Crianças e Adolescentes (CCA) São Tarcísio e tesoureira da Conferência São Francisco de Assis, ambas em Mendes Pimentel. Nas formações, atende novas diretorias de Conferências e de Conselhos Particulares (CP), secretários e novos membros.

Segundo Leni, a sala de aula ajudou a lidar com a diversidade que encontra nas formações. Ela usa livros, revistas, projetor e relatos de vida. A diferença, avalia, está na motivação do público: “na escola geralmente vão por dever e, nas formações, vão por prazer em conhecer mais sobre essa vocação de servir, vão com mais alegria”.

“Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”, cita Leni.

Entre as lembranças, ela cita uma formação em que uma aspirante, pessoa que participa da Conferência para conhecer a missão da SSVP antes de ser proclamada, disse ter ficado ainda mais certa de que havia escolhido o caminho certo ao se tornar vicentina. Leni conta também que a presidente do seu CP foi proclamada após uma formação que ela conduziu e saiu de lá disposta a assumir encargos. Algum tempo depois, aceitou concorrer à presidência.

O maior desafio, na sua avaliação, é ajudar o vicentino a perceber que precisa ter tempo para servir e para o outro, em uma rotina em que o tempo livre é escasso.

Ensinar fora da sala de aula

O serviço de Leni como formadora começou antes da Ecafo. Como catequista em sua paróquia, ela convidou os catequizandos de sua última turma a criar uma Conferência. A Conferência São Francisco de Assis foi fundada entre o fim de 1993 e o início de 1994. Ela participa dela até hoje.

Os dois relatam o mesmo aprendizado. “Quem ensina também aprende”, diz Jonas. Leni afirma que, entre alunos e vicentinos, também aprende muito. Ela chama a docência de “uma pérola” em sua vida e diz que compartilhar o que sabe sobre a vida vicentina é gratificante.

Aos vicentinos que sentem vocação para ensinar e ainda não participam da formação, Leni pede que não tenham medo nem receio, e que não achem que não são capazes. Jonas lembra que não é preciso ser professor de profissão. Basta ter algo a oferecer, como saber ouvir, organizar uma reunião, trabalhar com jovens ou falar em público.

“Não espere estar pronto. O caminho se faz caminhando. [...] Diga, com simplicidade e coragem: ‘Eis-me aqui’”, finaliza Jonas.

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