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Dia Mundial da Ajuda Humanitária: a solidariedade vicentina não conhece fronteiras

Em 19 de agosto, data que lembra o compromisso mundial com quem sofre em situações de crise, a SSVP Brasil reafirma seu papel como um dos pilares da rede de ajuda fraterna que conecta vicentinos de mais de 150 países

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Escrito por Ricaella Inocente

19 AGO 2026 - 09H00

O Dia Mundial da Ajuda Humanitária, celebrado em 19 de agosto, convida à reflexão sobre um valor que está no coração da vocação vicentina desde sua fundação: a solidariedade que ultrapassa fronteiras. E poucas organizações no mundo vivem esse princípio de forma tão concreta quanto a Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), presente em mais de 150 países e unida por uma mesma missão: servir a Cristo na pessoa do Pobre, onde quer que ele esteja.

Nesse cenário, o Brasil ocupa um lugar de destaque. Maior país da rede vicentina mundial, com atuação em todos os 26 estados e no Distrito Federal, o país acompanha semanalmente cerca de 74 mil famílias, totalizando aproximadamente 470 mil pessoas assistidas. Essa força, construída ao longo de mais de 150 anos de história, transformou a SSVP Brasil em referência internacional e também em uma das nações que mais colabora com a Confederação Internacional em ações de ajuda fraterna.

Uma rede que se sustenta na cooperação entre países

A força internacional da SSVP se organiza em torno do Conselho Geral Internacional (CGI), a mais alta instância da Sociedade em nível mundial, e da Comissão Internacional de Ajuda e Desenvolvimento (CIAD), órgão responsável por apoiar projetos vicentinos em situações de emergência humanitária, expansão e desenvolvimento em qualquer parte do globo. É por meio dessa estrutura que países com mais recursos apoiam países com mais necessidades, e o Brasil, hoje, caminha nos dois sentidos dessa via: recebe reconhecimento internacional por sua estrutura e, ao mesmo tempo, estende a mão a nações vicentinas irmãs.

O reconhecimento da atuação brasileira já foi manifestado publicamente por lideranças internacionais da SSVP. "O trabalho desenvolvido pelo Conselho Nacional do Brasil é observado e admirado por sua busca constante de renovação da Sociedade (...). Essa parceria é muito importante e a SSVP brasileira é hoje um dos sustentáculos do movimento vicentino em nível internacional", destacou o Vice-presidente Internacional para Estrutura e Projetos Especiais do CGI, Júlio César Marques de Lima, em manifestação recente.

A Presidente do Conselho Nacional do Brasil (CNB), Elisabete Maria Castro, a Bete, viveu de perto essa percepção durante a Assembleia Geral do CGI, realizada em Lisboa, em junho deste ano. "Os representantes dos Conselhos Nacionais vinham conversar, queriam saber dos nossos projetos, da nossa estrutura. Tivemos pedidos de ajuda com formação. É muito bom saber que estamos no caminho certo e que podemos ajudar os países coirmãos, mas também aumenta a responsabilidade dos vicentinos brasileiros", afirma.

Ajuda fraterna entre países hermanados

Dentro do CNB, é o Departamento de Relações Internacionais e Ajuda Fraterna quem cuida diretamente dessa cooperação com os chamados países hermanados ao Brasil: Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai, Venezuela e São Tomé e Príncipe. O trabalho envolve identificar necessidades, analisar projetos apresentados pelos Conselhos Nacionais dessas nações e viabilizar apoio fraterno, sempre em comunhão com o CGI.

Neste ano, esse apoio já se traduziu em ações concretas: fortalecimento das Conferências no Paraguai, viabilização de um projeto de geração de renda em São Tomé e Príncipe, apoio a atividades missionárias e de formação no Equador, entre outras iniciativas voltadas à expansão e ao fortalecimento da SSVP nesses países.

Uma tradição de solidariedade em tempos de crise

A mobilização dos vicentinos brasileiros diante de crises humanitárias internacionais não é novidade. Em 2022, quando a guerra na Ucrânia deslocou milhões de pessoas e agravou a situação de famílias refugiadas, o CNB organizou, entre suas Unidades Vicentinas, uma Coleta Especial para apoiar a ação humanitária do CGI no país. Vicentinos de todo o Brasil contribuíram generosamente para esse fundo, reafirmando, à época, o espírito de solidariedade que atravessa a rede vicentina mundial.

É esse mesmo espírito que move a SSVP Brasil hoje diante da situação da Venezuela, país hermanado que enfrentou este ano os graves impactos de um terremoto. O CNB acionou seu Fundo Emergencial para apoiar os vicentinos venezuelanos em ações de assistência humanitária e mantém, desde então, contato permanente com o Conselho Nacional da Venezuela, acompanhando de perto a situação do país.

Uma vocação sem fronteiras

Para a Presidente Bete, a experiência internacional reforça um compromisso que atravessa toda a história vicentina. "Cada deliberação, cada experiência compartilhada e cada formação fortaleceram a certeza de que a missão da SSVP ultrapassa fronteiras. Voltamos para o Brasil motivados a colocar em prática tudo o que vivemos", afirma.

No Dia Mundial da Ajuda Humanitária, a SSVP Brasil relembra que a vocação vicentina nunca esteve limitada por mapas ou línguas. Desde a fundação da primeira Conferência no Rio de Janeiro, em 1872, o compromisso de "servir com amor, zelo e amizade", lema da atual gestão do CNB, se expressa também nessa rede que une confrades e consócias de mais de 150 países em um só propósito: aliviar o sofrimento e restituir a dignidade de quem mais precisa, onde quer que essa necessidade esteja.

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