Em meio à subida do morro do Cruzeiro, encontramos Jaqueline Maria Fernandes Ramos Andrade, de Agaí/SP, empurrando um carrinho com uma linda bebê dentro. Ela estava em Aparecida para pagar uma promessa feita pela mãe. Jaqueline teve um final de gestação complicado: com a bebê transversa, sua bolsa rompeu com 37 semanas e 6 dias. “E eu cheguei no hospital e eles não fizeram um ultrassom para ver como ela estava. E o médico achou que eu ia ter ela normal. E aí secou todo o líquido.
Ela grudou na parede do útero e ela não estava encaixada, ela estava transversa. E aí eu tive três hemorragias na minha cirurgia. A bolsa rompeu às seis horas da tarde e eu fui ter ela às sete da manhã do dia seguinte. Sem líquido nenhum, sem ter contração nenhuma, sem dor nenhuma. E aí, quando o médico abriu, ele só disse ‘bebê transversa’ e já pediu para minha acompanhante se retirar”.
O momento ficou ainda mais tenso quando Jaqueline teve a terceira hemorragia e foi sedada. “Eles chamaram a minha mãe e disseram que se eu tivesse mais uma hemorragia, eles teriam que quebrar a bebê dentro de mim. Porque o protocolo é salvar a vida da mãe”, lembra aos prantos.
No hospital tinha uma imagem de Nossa Senhora, a Mãe das Mães, a Mãe de todos, e foi ali que a mãe de Jaqueline se ajoelhou, pediu pela vida da neta e prometeu que viríamos. “E ela nasceu, com 2,6 quilos. Então hoje a gente está aqui pela Maria Laura Regina.”
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Questionada se não seria muito cansativo subir o morro inteiro empurrando o carrinho, Jaqueline respondeu: “Eu acho que para quem tem fé não tem sacrifício, né? Acho que a fé sustenta a gente, acho que a fé é fôlego de vida. Literalmente a vida, né? Porque, se não fosse a fé da minha mãe naquele momento e a intercessão de Nossa Senhora, eu acho que nada teria acontecido. Eu acho que ela não estaria aqui, ou talvez nem eu. Porque eu cheguei, eu saí do centro cirúrgico, eu tive a quarta hemorragia e ela ficou quatro horas sem mamar depois que ela nasceu, porque eu não pude voltar. Eu tive que ficar em observação. Então ela chorava, minha mãe conta que ela chorava desesperadamente. Mas ela está aqui.
Firme e forte, graças a Deus e à Nossa Senhora que intercedeu pela gente”, finaliza.
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Quando Jaqueline acabou de nos dar a entrevista, como num trenzinho sequenciado, nos deparamos com dona Maria Soares Nascimento, de 80 anos. Sendo conduzida por um grupo em sua cadeira de rodas, ela percorria o caminho compenetrada. Aquela imagem chamou a atenção e nos aproximamos para conversar com o grupo.
Com a voz baixa, ela contou que, pela primeira vez, estava na Romaria e que demorou aproximadamente 15 horas para ir com a Caravana de Montes Claros/MG a Aparecida. Ela não é vicentina proclamada, mas acompanha a SSVP em sua cidade e foi junto ao evento. E seu objetivo não poderia ser mais simples e puro: “vim visitar Nossa Senhora Aparecida e agradecer a vida. Estou com 80 anos e dificuldade pra andar, e a fé em Deus me faz vir. Nossa Senhora, para mim, é tudo”.
Dona Maria foi conduzida na cadeira durante todo o trajeto por amigos e familiares. Um cuidado e um servir prático do tema da 54ª Romaria. E ela não chamou apenas a atenção da nossa equipe de reportagem. Ao término da nossa conversa, ela foi abordada por uma das Consócias que estavam ao longo do trajeto ajudando os romeiros, e além de ter sua face enxugada por ela, ainda ganhou uma toalhinha de presente.
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