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São João Batista: simplicidade, humildade, mortificação e missão

Leia uma homilia de Padre Allan Júnio Ferreira, Assessor Espiritual do CNB, destacando as virtudes e os ensinamentos do santo para a vida missionária vicentina.

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Escrito por Marina Prado

24 JUN 2026 - 08H30

Celebrada hoje em 24 de junho, a Natividade de São João Batista convida os cristãos a voltarem o olhar para aquele que preparou os caminhos do Senhor e se tornou um dos maiores exemplos de humildade, simplicidade e fidelidade à missão. Refletindo sobre a importância desse grande profeta para a história da salvação, o padre Allan Júnio Ferreira, assessor espiritual do Conselho Nacional do Brasil (CNB), dedicou sua homilia durante a Missa de Formatura do Curso Missionário, realizada em dezembro de 2025, para destacar as virtudes e os ensinamentos de João Batista para a vida missionária vicentina. E trazemos para você esse rico material de espiritualidade e reflexão!

"No ano de 2026, até novembro, nós vamos rezar, refletir o Evangelho de Mateus. E, no tempo do Advento, também aparecem alguns personagens muito interessantes, que nos ajudam a compreender essa história da salvação.

E um deles é João Batista. Ele foi uma pessoa muito mais do que aquilo que a gente sabe de João, muito mais do que aquilo que a gente acha que João é. A gente fala: João é parente de Jesus, é primo de Jesus, João Batista das festas populares. Tudo isso é verdade, mas João Batista tem um papel fundamental na história da salvação. Não é à toa que, todo o tempo do Advento, temos que refletir sobre João Batista.

Não é à toa que o próprio Jesus vai dizer que, dentro dos nascidos de filho e de mulher, não existiu ninguém maior que João Batista, dada a importância missionária de João.

João Batista, ele é o último dos profetas nos moldes do Antigo Testamento. Todos esses profetas que nós acompanhamos ao longo da liturgia, ao longo da história, nós conhecemos hoje, na primeira leitura, o profeta Isaías, que vai aparecer muito neste tempo também, dizendo: quando chegar aquele dia, quando o Senhor virar, tudo vai estar em harmonia novamente, tudo vai estar em paz. Por isso que ele traz aquelas imagens dos animais que são naturalmente adversários, animais que, ali naquele tempo, não conviviam juntos. O ser humano não vai ter medo do perigo, ele não vai haver esses problemas. Então, os profetas anunciam algo que está por vir, mas também denunciam uma realidade muitas vezes de injustiça.

Os profetas do Antigo Testamento são muito fortes, denunciam claramente situações de injustiça, de pobreza, situações em que o povo é deixado de lado, situações em que as pessoas se esquecem do verdadeiro Deus. E João Batista é o último profeta nestes moldes do Antigo Testamento. E João Batista tem a alegria, ele é o único profeta que se encontra com a mensagem que ele profetizava.

É o único. Ele se encontra com a mensagem, ele se encontra com aquele que ele profetizava. Então, João Batista faz uma dobradiça entre o Antigo e o Novo Testamento.

O período de João Batista é este período de transição do Antigo para o Novo. E aí nós podemos comparar as duas atuações. Por quê? João Batista teve muito mais seguidores, sucesso, do que o próprio Jesus naquele contexto.

A mensagem de João Batista foi tão forte que, mesmo após o evento Jesus, mesmo após a vinda de Jesus, mesmo depois da ressurreição de Jesus, ainda existiam grupos que achavam que João Batista era o Messias e não Jesus. E era a mensagem.

E é por isso que João Batista têm que afirmar: virá alguém que é mais forte do que eu. Eu não sou digno nem de digno nem de desamarrar suas sandálias. Não sou eu, mas é ele. Ele vai batizar com o Espírito Santo. João Batista tem que fazer esse sinal para mostrar para as pessoas que o verdadeiro Messias, o verdadeiro Deus, é o próprio Jesus Cristo, e não ele.

Mas João Batista é diferente de Jesus em muitos aspectos. Quais? João Batista não era uma pessoa que estava no meio do povo.

Jesus já estava no meio das pessoas, tomava refeição com elas. Jesus visitava as casas. Jesus estava no meio, realmente, dos pobres. Jesus confrontava muitas vezes as autoridades. João Batista não. João Batista tinha uma pregação muito dura, muito forte. Era uma pregação muito violenta. E João ficava mais afastado, ele ficava no meio das pessoas. Quem quisesse ouvir João Batista tinha que ir onde ele estava. E onde ele vivia? Em lugares desertos, mais isolados. Ele tinha uma vida desprendida de tudo. Ele se vestia com o mínimo. Ele se alimentava com o que a natureza oferecia. E estava ali, preparando o caminho do Messias. Preparando os caminhos do Senhor Jesus.

Então, João Batista tem um papel fundamental. Ele faz, realmente, esse preparo. Essas denúncias, essa pregação mais forte, essa vida de uma simplicidade radical, de uma humildade radical, era preparar a vida de Jesus. E ele não tinha medo de denunciar aquilo que estava errado. E nós sabemos qual vai ser o destino de João Batista por causa disso. Ele será executado por causa do seu testemunho firme, correto, da verdade.

João Batista batizava nas águas, um batismo de conversão dos pecados. Era uma preparação. Aquelas pessoas que queriam mudar de vida, que queriam mudar, de fato, de rota, de mentalidade, tinham que ouvir o que João dizia [e ter um momento de conversão verdadeira, sincera, e passar pelas águas do batismo. A partir do momento que a pessoa entrava na fila do batizado, entrava na fila para ser batizado, ela se reconhecia pecadora pública. Porque todos que estavam ali na fila eram para tirar do pecado, para se converter. Então, todos que entravam na fila do batismo eram pecadores que queriam um momento de conversão, que queriam realmente uma vida nova.

E João Batista promovia este batismo, até que Jesus se coloca também na fila dos pecadores. Mas por que Jesus entra na fila? Não porque ele tem pecado, que ele não tem, mas ele também passa por este momento para dar o exemplo para todos aqueles que estavam ali, para todos nós, que é possível uma conversão diária.

João Batista dizia que o batismo de Jesus, o batismo do Messias, não vai ser mais com água, mas vai ser com o Espírito. É o Espírito que vai nos confirmando na missão. É o Espírito Santo, o Espírito de Deus, que nos impulsiona, que nos envia, que nos desinstala, que nos tira do nosso lugar.

Então, o que nós podemos aprender com João Batista? Nós podemos aprender com João Batista a sermos profetas da verdade. Nós podemos aprender com João Batista a humildade e a simplicidade, que são duas virtudes vicentinas. Também podemos ver em João Batista a virtude da mortificação, uma pessoa que renuncia a tudo para poder seguir realmente o seu chamado. Nós podemos aprender com João Batista a simplicidade, a humildade e a mortificação.

E nós podemos aprender com João Batista a sermos verdadeiros missionários que sabem e apontam para Aquele que dá sentido à missão, que é a rega da missão, segundo São Vicente de Paulo, é Jesus Cristo.

Quando João aponta para Jesus e diz: é ele, ele é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, João Batista está dizendo: não precisa ouvir mais comigo, meu tempo termina aqui, a minha missão termina aqui, porque a missão dele vai começar, a missão de Jesus vai começar, a minha termina aqui. E aponta para que aquelas pessoas, os seus discípulos, agora passem a seguir Jesus, que é a regra da missão, que é o centro da missão, que é a vida da nossa vida e a única inspiração do nosso coração, como diz São Vicente de Paulo."

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Por Marina Prado, em Assessoria Espiritual

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