*Por Pe. Allan Júnio Ferreira, CM
Assessor Espiritual do CNB
O mês de agosto é tradicionalmente dedicado às vocações. Geralmente quando falamos em vocação logo vem a nossa mente as pessoas dos padres e das religiosas. É verdade que a vocação sacerdotal e a vocação consagrada são importantes para a Igreja, mas elas não são as únicas que devem ser lembradas e rezadas por nós.
A palavra vocação significa “chamado” e implica uma dinâmica entre duas pessoas, aquele que chama e aquele que é chamado. O autor do chamado é o próprio Deus que nos elege e nos convoca a uma missão específica na Igreja e na sociedade. Cada um de nós tem uma missão, uma tarefa a ser cumprida. Não estamos nesse mundo por acaso e nem é por coincidência que o nosso coração sente um vazio quando demoramos ou não respondemos Àquele que nos chama. O chamado que Deus nos faz é pessoal e intransferível. A vocação é de cada um e somos responsáveis por cuidar dela para que frutifique em boas obras.
Somos chamados em primeiro lugar a sermos discípulos de Jesus Cristo, a estar com Ele e participar da sua intimidade (cf. Mc 3, 13-14). Esta deve ser a centralidade da nossa vida de fé, sermos discípulos que ouvem a Palavra de Deus e a põe em prática. Só depois é que surgem as vocações específicas: sacerdotal, vida consagrada, matrimonial, laical etc.
Mas como saber qual a minha vocação específica? Só saberemos qual é a nossa vocação específica quando assumirmos de verdade o compromisso de sermos cristãos. É através da oração, da intimidade com a Palavra de Deus e no silêncio, que iremos discernir o chamado que Deus nos faz. Ele nos fala a todo momento, mas os muitos barulhos externos e, por vezes, internos, que estão dentro de nós, abafam essa voz e nos faz surdos ao chamado de Deus.
Celebrar as vocações é também rezar pelas vocações vicentinas. Ser Confrade ou Consócia é uma bonita e exigente vocação que deve ser renovada diariamente. O “sim” dado no dia da proclamação na SSVP deve ressoar todos os dias em seu coração. Mesmo nos momentos mais difíceis e de desânimo frente a missão vicentina, o Confrade e a Consócia devem ser homens e mulheres que dão testemunho de uma vida doada a Jesus Cristo, presente nos mais pobres e sofredores. “Esforço-me por abandonar-me com amor à vontade de Deus”- Frederico Ozanam.
A vocação vicentina é “seguir Jesus Cristo servindo àqueles que precisam e, desta forma, dar testemunho do seu amor libertador, cheio de ternura e compaixão. Os Confrades e Consócias mostram a sua entrega mediante o contato pessoa a pessoa. O Vicentino serve com Esperança.” (Art 1.2 da Regra do Conselho Geral Internacional da SSVP. Ed. Revisada em 2023). A vocação vicentina é uma resposta generosa aos apelos dos sinais dos tempos. “Somos chamados a fazer aquilo que o próprio Cristo veio fazer na terra: evangelizar os pobres” (São Vicente de Paulo). Esta foi a missão de Jesus Cristo em sua vida pública, amar e servir aos Pobres. E esta deve ser a nossa missão enquanto vicentinos.
A vocação e missão vicentina continuam atuais e devemos pedir sempre em nossas orações que o Senhor da Messe envie mais operários e operárias para a grande messe que é a SSVP. Rezar pelas vocações vicentinas é ser uma comunidade vocacional. É se comprometer com o Reino de Deus. É participar plenamente do convite de Jesus que nos diz: “Pedi ao Senhor da messe...”
Rezemos com São Vicente de Paulo:
"Senhor, mandai bons operários à vossa igreja, mandai missionários e missionárias, como convêm que sejam, para que trabalhem de modo eficaz na vossa vinha; pessoas, meu Deus, desapegadas de si mesmas, das suas comodidades e dos bens terrenos. Não importa se em pequeno número, contanto que sejam bons. Senhor, concedei esta graça à vossa Igreja." - São Vicente de Paulo (cf. Coste, XI, 357).
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