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Da crise à gratidão: como a ação vicentina transformou uma família em parceira da missão

Conferência São José Operário, de Itabatã/BA, acolheu família em situação de vulnerabilidade extrema durante a pandemia. Hoje, o casal retorna com doações e segue colaborando com a SSVP

Escrito por Redação SSVP

31 MAR 2026 - 13H00

Uma mensagem recebida em plena pandemia levou dois vicentinos às pressas a um endereço em Itabatã, no extremo sul da Bahia. Do outro lado, uma família em colapso: dívidas acumuladas, sem comida há mais de uma semana, ameaça de despejo e um pai que havia tentado tirar a própria vida. O que começou com uma cesta básica se transformou em uma história de reconstrução, fé e, mais tarde, de gratidão ativa, com a família percorrendo cerca de 250 quilômetros para retribuir o que havia recebido. Damaris Cristina Vicente, 48 anos, artesã, mora hoje em Aracruz/ES. Ela conta como aquele encontro mudou tudo.

O primeiro chamado

A história começou quando o confrade Carlito, membro da Conferência São José Operário, vinculada ao Conselho Particular (CP) São Francisco de Assis de Teixeira de Freitas/BA, recebeu uma mensagem alarmante: um rapaz havia tentado suicídio. A resposta foi imediata.

"O confrade Carlito recebeu uma mensagem de uma família em que um rapaz tentou suicídio. Imediatamente, eu e o confrade Carlito fomos até o endereço. Porém, como era à noite, não encontramos o local. No dia seguinte, eu e o confrade Gervásio voltamos e encontramos", relembra Danilo Porto Rusciolelli, vice-presidente da Conferência São José Operário de Itabatã e membro da SSVP há 12 anos.

No endereço, moravam o casal Damaris e Rafael, com dois filhos. Rafael não estava presente, e a sindicância — visita de avaliação realizada pelos vicentinos — foi conduzida com sua esposa, Damaris. Para ela, aquele primeiro contato com a SSVP ficou marcado para sempre. "Foi a melhor coisa que aconteceu naquele momento", expressa Damaris Cristina Vicente, 48 anos, artesã.

Uma crise construída dia a dia

Damaris relatou uma situação que era de extrema vulnerabilidade. Rafael havia contraído a Covid-19 e ficado afastado do trabalho por 14 dias. Quando estava prestes a retornar, ela também testou positivo. Então, Rafale foi então encaminhado ao INSS, mas chegou a quatro meses sem receber salário, aguardando a perícia. As dívidas de aluguel e energia foram se acumulando. A alimentação da família passou a ser insuficiente.

"Foi o pior momento das nossas vidas. Estávamos passando por muitas dificuldades financeiras, estávamos com mandato de despejo. Na verdade, estávamos sem comer nada há mais de uma semana, eu e meu esposo. Nesse período difícil, a gente dividia uma salsicha para quatro adultos e dois cachorros", recorda Damaris.

Foi nesse cenário que, em um momento de desespero, Rafael amarrou uma corda no telhado e a colocou no pescoço. Damaris chegou a tempo de evitar a tragédia. Ao ser questionado sobre o motivo, ele disse não aguentar mais ver os filhos passando por tamanha necessidade.

O acolhimento vicentino

Já na primeira visita, os vicentinos entregaram uma cesta básica e realizaram um momento de evangelização, com orações e palavras de apoio emocional. A partir daí, a Conferência passou a acompanhar a família com visitas frequentes e assistência dentro das possibilidades. Para Damaris, o que mais marcou não foi apenas a ajuda material, mas a forma como foram recebidos: "foi o carinho, a atenção e, principalmente, o respeito que o Danilo teve por nós."

Ela também destaca o papel do acompanhamento espiritual naquele momento: "nos ajudou muito com palavras de fé. Tivemos muitas conversas nos dando ânimo, falando do amor de Deus por nós e nos ajudou muito com mantimentos, porque não tínhamos nada, nada para comer”.

O acompanhamento também incluiu orientações práticas: os vicentinos incentivaram Rafael a buscar a empresa e a insistir no contato com o INSS. "A conferência passou a fazer visitas com frequência e ajudando no que era possível. Nas visitas, os vicentinos incentivaram o Rafael a buscar a empresa e insistir em ligar para o INSS. Na época, só era possível ligar de telefone fixo, que foi oferecido pela Paróquia São José Operário", relembra Danilo.

O acompanhamento seguiu até que o casal decidiu se mudar para Aracruz, no Espírito Santo, para morar com um familiar enquanto resolvia a situação. A Conferência os acompanhou até esse momento. Para Damaris, a mudança também foi uma dádiva: "foi uma das melhores coisas que Deus fez nas nossas vidas. Chegamos aqui com emprego, casa, outra vida. E não demorou muito, Deus fez vários milagres nas nossas vidas".

O retorno que ninguém esperava

Entre um e dois anos após a partida, Damaris entrou em contato com a Conferência São José Operário com uma intenção que surpreendeu os vicentinos: ela queria trazer doações de Aracruz para que os confrades pudessem continuar fazendo por outras famílias o que haviam feito por eles.

"Foi no momento mais precário que eles nos ajudaram muito, coisa que nem a própria família fez. Os vicentinos fizeram por nós", comenta Damaris.

O casal percorreu cerca de 250 quilômetros com um carro alugado, trazendo vários fardos de alimentos. No momento da entrega, durante as orações de agradecimento, Damaris e Rafael se abraçaram em lágrimas.

"Eles se abraçaram chorando e relembraram que, no momento em que saímos da primeira visita, eles foram correndo para o fogão para preparar o jantar, que já havia tempo que não faziam uma alimentação completa. Lembraram das vezes que deixaram de se alimentar para dar comida para os filhos", conta Danilo.

No ano seguinte, o casal retornou mais uma vez, trazendo alimentos e materiais de higiene. Ao perguntar se a Conferência aceitava doações via Pix, foram informados sobre uma missão em andamento: a construção de um cômodo para uma senhora de 64 anos que vivia em um barraco de lona, sem banheiro. A partir daí, Damaris e Rafael passaram a enviar doações regularmente para a compra de materiais de construção.

Hoje, Rafael é motorista de carreta. O casal construiu a própria casa e adquiriu um veículo. A trajetória que começou em um momento de desespero absoluto chegou a um ponto de estabilidade e protagonismo. Damaris reflete sobre o que a SSVP representa em sua vida hoje:

"É muito bom saber que, nos momentos mais difíceis, a gente pode, e sempre vai poder, contar com eles”.

Damaris, que hoje é artesã e segue colaborando com a Conferência à distância, deixa uma mensagem para quem enfrenta situações semelhantes: "que nunca desista. Há um Deus, e ainda existem pessoas de bom coração como os vicentinos, com quem podemos contar. Existe um Deus que cuida de nós".

O que essa história ensina à missão vicentina

Para o vice-presidente da Conferência, Danilo, membro da SSVP há 12 anos, a experiência com Damaris e Rafael renova o sentido da vocação vicentina: "ver uma família ser promovida renova o entusiasmo de continuar a missão e entender a importância da nossa vocação vicentina, que vai muito além dos bens materiais, mas também a escuta, a fé e a esperança. Mesmo em dificuldades, como na época da pandemia, os vicentinos não mediram esforços no socorrer a família em um momento tão crítico".

Danilo também reflete sobre o ensinamento mais profundo que essa história deixa: "Essa experiência mostra que vale a pena acreditar na promoção dos nossos assistidos e que, quando se faz o bem, o bem se multiplica, mostrando que Jesus Cristo está em cada ato de amor e solidariedade. A importância das doações recebidas pelo casal vai muito além dos alimentos. Mostrou para os membros da Conferência que deixar muitas vezes a família para fazer visitas semanais é verdadeiramente encontrar com Cristo", finaliza o vicentino.

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