Mês missionário convida a doar-nos mais para o próximo

Trabalho vicentino é por excelência um gesto de missão, garantem coordenadora nacional do Departamento Missionário da SSVP e assessor espiritual

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Seja bem-vindo, outubro. O mês iniciado no último sábado (1º) traz com ele a preocupação em fazer dos cristãos anunciadores da Boa Nova do Evangelho aos irmãos que vivem distantes da Palavra e dos ensinamentos de Deus. É um convite para ‘sair em missão’. Afinal, celebra-se agora o ‘Mês Missionário’, uma data instituída pelo beato Paulo VI em 1926.

Nos 31 dias de outubro, os católicos são motivados a se envolver com a Campanha Missionária que, neste ano, tem como lema “Cuidar da Casa Comum é nossa missão”, e lema: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).  É um chamado a perceber que apesar do projeto de Deus ser maravilhoso, ele se encontra ameaçado devido à poluição, descaso com o meio ambiente e a precariedade sanitária em que vivem milhares de brasileiros.

Segundo o padre Alexandre Nahass Franco, assessor espiritual do Conselho Nacional do Brasil, os vicentinos precisam se inserir neste contexto. “Portanto, os confrades e consócias, na condição de missionários, são convidados a ter ‘Um Olhar de Caridade’ para criação. As Conferências poderão ser um espaço de reflexão e partilha sobre os cuidados que devemos ter com a nossa Casa Comum: Planeta Terra e Criação. Pequenas iniciativas podem ser realizadas”. Sugere ele: “a educação ambiental; a valorização e o cuidado com a água; como fazer a reciclagem do que é considerado lixo; evitar o desperdício da alimentação; o plantio de árvores e tantas outras atividades que podem se tornar verdadeiras campanhas em nossas Unidades Vicentinas. Os vicentinos devem conscientizar, inclusive, as famílias assistidas, de que a natureza, antes de tudo, é um presente que recebemos do Criador, e como todo “dom” traz em si uma tarefa: é necessário preservar a obra de Deus, cuidar da Casa Comum”.

MISSÕES NA SSVP

Margarete SantosO Conselho Nacional do Brasil da SSVP possui uma pasta exclusiva dedicada às missões: o Departamento Missionário. A coordenadora é consócia Margarete Santos. O trabalho dos missionários na instituição consiste em animar os vicentinos que se afastaram das Conferências, além de recrutar membros.

Nos últimos três anos, foram feitas cerca de 25 missões em diversas partes do país. “A Missão é uma atividade de grande riqueza para a SSVP, pois não só propicia revitalizar a SSVP, como faz pensar um novo jeito de agir em nossas Conferências e Conselhos frente ao crescente desafio de adotarmos uma nova e eficaz postura no trato pessoal entre membros vicentinos, famílias assistidas e, ainda, comunidade católica. A Missão é vida para a SSVP. Ela traz encanto aos olhos ao vermos vicentinos reunidos e unidos na realização das atividades. Encanta o coração ao sentirmos tantas emoções nos encontros, visitas, relatos e partilhas”, comenta Margarete.

Interessados em se tornarem missionários vicentinos precisam fazer uma capacitação. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail: missão@ssvpbrasil.org.br 

CAMPANHA MISSIONÁRIA

Outubro é escolhido como o Mês Missionário porque se comemora a festa de Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897), proclamada em 1927 a padroeira das Missões.

Uma das principais atividades deste mês é o Dia das Missões (23 de outubro), quando é feita uma coleta especial nas Igrejas.

A palavra ‘missão’ vem do latim ‘mittere’, que significa enviar, ou seja, estar a serviço, partir ao encontro do outro. Sobre o assunto, padre Alexandre respondeu três perguntas:

SSVPBRASIL – O que é ser missionário e qual a importância das missões nos dias atuais?

Padre Alexandre – Ser missionário é ter coragem de dividir o tempo com os outros, levando sempre a paz e o amor de Deus para todas as pessoas que necessitam dessa paz e desse amor. Logo, o missionário é aquele que está disposto a ir aonde há necessidade de alguém que ofereça seus dons e sua vida ao serviço dos mais Pobres. O missionário alegra a muitos com sua atitude generosa e faz o Reino de amor acontecer em meio às situações de abandono e sofrimento. Sabemos que a vocação é um chamado que Deus dirige a todos. Primeiramente, Ele chama à vida; em seguida a sermos cristãos, seus seguidores; finalmente, para uma vocação específica na Igreja e no mundo. Independente da vocação, a partir do Batismo, todos são missionários para levar a Boa Nova do Evangelho.

A importância da missão nos dias atuais é porque ela torna-se a irradiação do Amor do Deus Trindade. Este amor, revelado “aos pequenos/pobres”, é a força que destrói o mal. Viver essa missão é  contemplar a ação de Deus, agindo no meio do Pobres, mesmo diante dos desafios e resistências, mas fazendo acontecer o milagre da vida. Diz-nos o Papa Francisco: “A nossa imperfeição não deve ser desculpa; pelo contrário, a missão é um estímulo constante para não nos acomodarmos na mediocridade, mas continuarmos a crescer”. (EvangeliiGaudium 121)

As Missões buscam atingir as pessoas no seu comportamento cotidiano, num modelo de Igreja animada, numa evangelização baseada na simplicidade e criatividade. É marcada pela itinerância dos missionários, elemento importante de seu fundamento e de sua mística. É um tempo de sair, de partilhar, de ajudar, de acolher e de se comprometer. É convocação, é envio a todas as pessoas.

Na missão devemos considerar o “Serviço”como testemunho de amor gratuito de Deus para com cada pessoa humana, colocando-se a serviço da causa dos direitos e da promoção da pessoa humana, especialmente dos mais Pobres, em vista de uma sociedade justa e solidária.

O “diálogo” que supõe reconhecer o outro como diferente de nós mesmos, como interlocutor, sujeito de valores que pertencem ao Reino. O diálogo é exigido pelo profundo respeito por tudo o que o Espírito operou em cada homem. Assim, o reconhecimento da presença operante do Espírito nos fiéis de outras religiões constitui o fundamento do ecumenismo e diálogo inter-religioso.

O “anúncio” de Jesus Cristo e do seu Evangelho. O centro e o ápice do dinamismo evangelizador da Igreja há de ser sempre uma proclamação clara que, em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado, é a salvação oferecida a toda humanidade.

E a “vivência comunitária” da fé eclesial – cultivando a solidariedade, a fraternidade, a acolhida, a gratuidade – seja de tal modo “sinal da presença divina no mundo”.

 

SSVPBRASIL – Um vicentino é um missionário?

Padre Alexandre – Todo vicentino, sim, é um missionário, sobretudo porque é um cristão empenhado no seguimento de Jesus Cristo servidor e evangelizador dos mais Pobres.

É um missionário porque denuncia as estruturas de injustiças e exploração geradoras de pobreza e anuncia o Reino de Deus como proposta de uma sociedade nova, promotora de todo ser humano, partindo dos mais pobres.

O missionário carrega fragilidades, limitações e incoerências. Mas Jesus, ao formar o grupo de seus seguidores mais próximos, não foi atrás de pessoas perfeitas e superdotadas. Ele pediu a todos que entrassem num profundo processo de conversão permanente.

É necessário que os vicentinos estejam em processo de formação permanente. Sempre dispostos a participarem dos encontros, cursos, retiros, celebrações, a fim de adquirirem melhor capacitação para o trabalho missionário na SSVP, pois além do Departamento Missionário do CNB, a visita semanal às famílias assistidas faz do vicentino um vocacionado para a missão.

SSVPBRASIL – O lema do ‘Mês das Missões’ é: Cuidar da casa comum é nossa missão. Qual a relação dele com a SSVP?

Padre Alexandre – Há poucos dias, tivemos o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, quando o Papa Francisco propôs um momento importante para renovar a nossa participação pessoal na vocação de cuidadores da criação, elevando a Deus o nosso agradecimento pelas obras maravilhosas que Ele confiou aos nossos cuidados, pedindo ajuda ao Deus Criador para a proteção da criação e a sua misericórdia diante dos pecados sociais cometidos contra o mundo onde vivemos.

O Mês Missionário propõe como lema: “Cuidar da Casa Comum”, que está muito próximo do que propõe a Encíclica ecológica do Papa Francisco “Laudato si”, que recorda que a terra “se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma mãe, que nos acolhe nos seus braços”. Mas sabemos que a terra está sendo maltratada e saqueada e os seus gemidos se unem aos clamores de todos os abandonados do mundo. Com esta Encíclica, o Papa nos convida a ouvir esses gemidos e clamores, exortando todos a uma “conversão ecológica”, a “mudar de rumo”, assumindo a responsabilidade de um compromisso para o “cuidado da casa comum”. E, consequentemente, o cuidado com a criação.

Portanto, os vicentinos como missionários são convidados a ter “Um Olhar de Caridade” para a criação. As Conferências poderão ser um espaço de reflexão e partilha sobre os cuidados que devemos ter com a nossa Casa Comum: Planeta Terra e Criação. Pequenas iniciativas podem ser realizadas, dentre elas, a educação ambiental; a valorização e o cuidado com a água; como fazer a reciclagem do que é considerado lixo; evitar o desperdício da alimentação; o plantio de árvores e tantas outras atividades que podem se tornar verdadeiras campanhas em nossas Unidades Vicentinas. Os vicentinos devem conscientizar, inclusive, as famílias assistidas, de que a natureza, antes de tudo, é um presente que recebemos do Criador, e como todo “dom” traz em si uma tarefa: é necessário preservar a obra de Deus, cuidar da Casa Comum.

Precisamos tomar consciência de que o planeta como Casa Comum nos pertence, e termos atitudes de verdadeiros guardiões diante de seus recursos. Não podemos esquecer que, para vivermos bem, é preciso que a natureza também viva, e cuidar dos recursos que ela nos oferece é uma forma de agradecermos a Deus, que pensou em nós e nos deu de presente toda a criação. Sejamos missionários no cuidado da Casa Comum.

Fonte: Redação do SSVPBRASIL

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