Três mulheres vicentinas para inspirarem sua caminhada de fé e caridade

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Na ordem: Santa Gianna, Santa Luísa e Irmã Rosalie Rendu

Nascido no início do século 20 como forma de luta pela igualdade em condições de trabalho, o Dia Internacional da Mulher é muito mais que uma data comercial; ele continua como uma manifestação social e política de direitos, como também de valorização das representantes do sexo feminino.

Dentro da história da Família Vicentina, muitas mulheres foram e são importantíssimas no trabalho de dar continuidade às ações caritativas iniciadas por São Vicente de Paulo e que se perpetuam ao longo do espaço e tempo. Como forma de homenagear todas, a equipe de reportagem do site SSVPBRASIL destaca hoje três delas:

Santa Gianna Beretta (1922-1962)

 

Gianna Beretta nasceu em Magenta, Itália, aos 04 de outubro de 1922. Desde muito cedo, acolheu plenamente o dom da fé e a educação cristã. Na juventude, vivida com alegria e na prática do alpinismo e do esqui, enquanto estudava Medicina, soube muito bem unir sua fé a um compromisso generoso de apostolado entre os jovens da Ação Católica e à caridade para com os Pobres, assistidos pela Sociedade de São Vicente de Paulo. Tendo-se formado em Medicina, em 1949, e se especializado em Pediatria em 1952, exerceu sua profissão médica, considerando-a uma verdadeira missão.

Gianna se casou com Pietro Molla aos 24 de setembro de 1955. Dessa união, nasceram Pierluigi, Mariolina e Lauretta.

Grávida pela quarta vez, em 1961, viu-se atingida por um fibroma no útero. Alguns dias antes do difícil parto, fortalecida por sua fé e por sua inabalável confiança no amor de Deus, demonstrou-se pronta para sacrificar a própria vida e salvar a da criança: “Se deveis decidir entre mim e o filho, não hesiteis: escolhei – eu exijo – a criança. Salvai-a”. Sua própria vida, no trabalho diário da medicina e no serviço aos Pobres, e agora em sua dolorosa realidade pessoal, proclamava o valor da vida humana e a importância inquestionável de sua defesa.

Assim, na manhã de 21 de abril de 1962, nascia Giana Manuella. Mas, apesar dos esforços feitos para salvar a vida de ambas, na manhã de 28 de abril, em meio a atrozes dores e após ter repetido a jaculatória “Jesus, eu te amo, eu te amo”, Gianna Beretta Molla veio a falecer. A dedicada médica, cujo coração, abrasado pelo Carisma Vicentino desde a juventude, que vibrava de amor pelo ser humano, tinha apenas 39 anos, e morria por amor à vida e em sua defesa. Memória litúrgica: 28 de abril.

 

 

Santa Luísa de Marillac (1591-1660)

Santa Luísa de Marillac foi uma mulher decidida e valente; inteligente e perseverante, viúva, mãe e cofundadora, junto a São Vicente de Paulo, das Filhas da Caridade. Destacou-se por sua entrega incondicional para os outros e um espírito impetuoso que lhe impulsionou a cumprir a missão que Deus lhe tinha encomendado ainda em meio à enfermidade.

Luísa de Marillac nasceu em Paris (França), em 1591. Filha de Luís de Marillac, senhor de Ferrieres-in-Brie e de Villiers Adam. Até os 13 anos, foi educada como uma menina nobre no Convento Real de Poissy. Entre as religiosas, encontrava-se uma tia dela que lhe ensinou a ler, escrever, pintar e lhe deu uma sólida formação humanística.

Quando seus pais e sua tia morreram, Luísa ficou sob a tutela de seu tio Miguel. Devido à precária situação econômica de sua família, a jovem experimentou na própria carne as carências materiais e aprendeu os afazeres do lar. Sua condição social de “senhorita pobre” produziu em Luísa um complexo de inferioridade, que arrastaria durante alguns anos.

Durante sua juventude, frequentou o convento das irmãs capuchinhas em Fauborg e sentiu inclinação para a vida religiosa. Entretanto, seu diretor espiritual negou sua entrada ao convento porque a saúde da Luísa era frágil. Convenceu-a de que optasse pelo matrimônio dizendo que “Deus tinha outros planos para ela”.

Em 1613, Luísa de Marillac se casou com o Antonio Le Gras com quem teve um filho. Antonio caiu gravemente doente.

Em 1616, conheceu São Vicente do Paulo, que se tornou seu confessor, embora a princípio não quisesse. Naquele tempo, São Vicente estava organizando suas “Conferências de Caridade”, com o objetivo de melhorar a situação da miséria no campo e para isso necessitava de alguém que infundisse respeito e que tivesse empatia e a capacidade de ganhar os corações das pessoas.

Conforme São Vicente foi conhecendo mais profundamente Luísa, deu-se conta de que ela era a pessoa que procurava para dirigir sua obra. Quando seu marido morreu, ela compreendeu que Deus a fazia um chamado grande e especial.

Quando São Vicente lhe pediu para formar um centro de treinamento para jovens, Luísa pôs ao seu dispor a casa que tinha alugado para residir logo depois da morte de seu marido. Ali, acolheu quatro candidatas que foram instruídas por ela para o serviço dos pobres e doentes. Em 1634, redigiu a regra de vida que deveriam seguir os membros da associação. Quando São Vicente obteve a permissão do Vaticano para formar uma congregação, este documento se tornou o estatuto das “Irmãs da Caridade”.

Durante o desenvolvimento de todos os projetos, a Santa levava mais carga do que os demais e se preocupava em ser um testemunho vivo da preocupação de Cristo pelos doentes e marginalizados. Em Angers, assumiu um hospital terrivelmente descuidado e, em Paris, cuidou dos afetados por uma epidemia. Também socorreu as vítimas da “Guerra dos 30 anos” e se ocupou dos afetados pela violência que se vivia na capital francesa.

Em seus últimos anos de vida, precisou repousar porque sua enfermidade lhe impediu de mobilizar-se. Entretanto, sua alma estava em paz e sentiu que o trabalho de sua vida tinha sido maravilhosamente abençoado. Nunca se queixou e dizia que estava feliz de poder oferecer este último sacrifício a Deus.

Antes de partir, deixou esta mensagem a suas irmãs espirituais: “Sede empenhadas no serviço aos pobres… amem os pobres, honrem, minhas filhas, e honrarão ao mesmo Cristo”. Santa Luísa de Marillac morreu em 15 de março de 1660.

Foi canonizada em 1934 pelo Papa Pio XI. Em 1960, o Papa São João XXIII a nomeou padroeira dos assistentes sociais.

 

Bem-aventurada Rosalie Rendu (1786-1856)

Joana Maria Rendu, (Irmã Rosalie), filha de Antonio Rendu e Maria Ana Laracine, nasceu em 9 de setembro de 1786, em Confort, distrito de Gex, nas Montanhas do Jura, sudeste da França e perto da fronteira com a Suíça. Ela viveu toda a sua vida de Filha da Caridade, 53 anos, no bairro Mouffetard, o bairro mais pobre de Paris.


Em 25 de maio de 1802, Irmã Rosalie entrou no Seminário (noviciado) na Casa Mãe das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris. Seu esforço para dar o melhor de si mesma em sua nova vida afetou sua saúde, e ela foi enviada para a casa das Filhas da Caridade, na região de Mouffetard, na esperança de que a mudança iria ajudá-la a recuperar suas forças.

O anseio por ação, devoção e serviço que ardia dentro de Irmã Rosalie não poderia ter encontrado lugar melhor para ser saciado. Doenças, casas insalubres e miséria eram seu campo de ação e o cenário diário dos habitantes que lutavam apenas para sobreviver. Irmã Rosalie desabrochou entre pessoas que rapidamente se tornariam seus “Amados Pobres”.

No começo de seu apostolado, ela acompanhava as Irmãs da casa nas visitas aos doentes e aos pobres em suas casas, ensinava o catecismo e a leitura às meninas na escola gratuita. Em 1807, fez os votos pela primeira vez. Logo, revelaria qualidades como piedade, autoridade natural, humildade, compaixão e capacidade de organização. Assim, em 1815, ela seria nomeada Irmã Servente (superiora local) da casa.

Responsável por sua comunidade, Irmã Rosalie recebeu a missão de orientar cada uma de suas Irmãs, providenciar formação para os novos membros e fazer a coordenação da vida comunitária, serviço queassumiu com muito cuidado, transmitindo amor e alegria.

Irmã Rosalie era “a boa mãe de todos” sem distinção de religião, partido político ou classe social. Com uma mão, ela recebia dos ricos, com a outra, dava aos pobres. Aos ricos, Irmã Rosalie dava a alegria de fazerem boas obras. Frequentemente, era possível vê-la, no parlatório de sua casa, com seus “Amados Pobres” e também com bispos, padres, oficiais do governo, mulheres ricas e estudantes universitários. Entre eles, estavam Frederico Ozanam e os primeiros membros da Sociedade de São Vicente de Paulo.

Com ternura e respeito, Irmã Rosalie e as Irmãs da casa orientam estes rapazes generosos e outros estudantes. Ela lhes recomenda paciência, tolerância e educação. “Amem os pobres, não os acusem… lembrem-se de que os pobres são ainda mais sensíveis às boas maneiras que à sua ajuda”.

Os últimos anos de vida da Irmã Rosalie foram dolorosos, pois sua saúde piorou e sua visão diminuiu. Ela não podia mais visitar regularmente seus “amados pobres” ainda que sua reputação continuasse a crescer. O imperador Napoleão III condecorou-a com a Cruz da Legião de Honra, uma honra militar que apenas quatro mulheres tinham recebido até recentemente.

Na vida, ela experimentou como uma “simples Filha da Caridade”, a verdade das palavras de Vicente de Paulo em 1660: “… certamente o grande segredo da vida espiritual é entregar a Deus tudo que amamos pelo abandono de nós mesmos a tudo que ele deseja. Rezai por mim”. E seria esta simples Filha da Caridade que seria homenageada em seu funeral, em 9 de fevereiro de 1856. Aproximadamente 50.000 pessoas de todos os setores da sociedade e tendências políticas e religiosas estiveram presentes. Deste dia em diante, seu túmulo está sempre decorado com flores.

Fonte: Redação do SSVPBRASIL

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