Em semana de caos, pauta é o amor aos Pobres

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Participantes do IV Encontro Nacional de Assessores Espirituais

 

A paralisação no país decorrente à greve exigiu que a coordenação do Encontro Nacional de Assessores Espirituais precisasse fazer alterações na pauta de atividades por causa de formadores que chegaram com atraso ou não conseguiram embarcar para o Rio de Janeiro (sede das atividades), no entanto, o imprevisto não foi empecilho para a realização do evento neste final de semana, na sede do Conselho Nacional do Brasil da Sociedade de São Vicente de Paulo. Pelo contrário. A situação atual da nação foi tema das homilias das Santas Missas de ontem (25) e hoje (26). Os celebrantes padre Moacir de Oliveira (Religioso de São Vicente de Paulo) e padre Agnaldo de Paula (Congregação da Missão-CM) rezaram pelo país.

Padre Agnaldo afirmou que o tempo é propício para que os cristãos combatam todas as situações que causem a opressão nas vidas dos Pobres, os principais prejudicados pelo sistema que é permeado de corrupção, desigualdade e discriminalização.

O lazarista mencionou sobre a adesão vicentina ao projeto Mudança de Estruturas (promoção social). “Não menosprezamos a doação da cesta básica, no entanto, precisamos pensar além. A felicidade só é completa quando o Pobre pode ir ao supermercado comprar o alimento que Ele quer e com o dinheiro do trabalho dele; quando ele pode ir a uma loja e comprar a roupa da cor que ele gosta e não precisa usar as roupas usadas que ganha”.

Ainda sobre a situação do país, o confrade Carlos Henrique David conclamou que os cristãos tenham uma postura ética em todos os momentos da vida, fazendo uma provocação.  “Nesta semana, eu vi que donos de postos estavam vendendo a gasolina a R$10, aproveitando-se da paralisação. Creio que muitos desses donos criticam políticos, no entanto, eles também não estão sendo corruptos?”.

Confrade Carlos Henrique David (Kaike)
Confrade Carlos Henrique David (Kaike)

O confrade recordou a trajetória do bem-aventurado Antonio Frederico Ozanam, que se dedicou a questões sociais. “Ele teve uma curta vida dedicada à causa dos Pobres e nos mostra que precisamos fazer o mesmo, enxergando o próprio Jesus nas pessoas que visitamos”. Encerra. “Nós somos um modelo de ‘Igreja em saída’. Na maioria das casas das famílias carentes, a única visita da Igreja que elas receberam foi a dos vicentinos”.

O ASSESSOR

Os assessores Espirituais são extremamente importantes dentro da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP). Eles caminham lado a lado das diretorias de Conselhos, repassando orientações e fazendo com que as decisões tomadas sejam embasadas no Regulamento e que o trabalho caritativo nunca se distancie dos ensinamentos da Igreja.

Os assessores são padres, irmãos, irmãs, diáconos, leigos e leigas. Para a coordenadora nacional da Escola de Capacitação Antonio Frederico Ozanam (Ecafo), Cristiane Nogueira, cabe a eles a função de zelar da espiritualidade dos membros.

Em contribuição, o Irmão Agenor (Religiosos de São Vicente de Paulo) disse que os assessores devem servir na retaguarda. “Nós não temos o poder de tomar decisões, mas precisamos estar ao lado dos vicentinos, aconselhando-os e não permitindo que se distanciem da sua espiritualidade essencial, que é a vicentina. O nosso objetivo específico é alimentar as Unidades com a espiritualidade vicentina com a formação necessária à qual Ozanam almejava”.

Conduziram ainda a roda de debates o confrade Celso Alves (presidente da SSVP para a Região IV) e o padre Mizaél Poggioli (Congregação da Missão-CM).

O SERVIR

Irmã Carolina Mureb
Irmã Carolina Mureb

Os assessores Espirituais conheceram na parte da tarde mais sobre a história de Santa Luísa de Marillac, durante uma formação conduzida pela Irmã Carolina Mureb (Filha da Caridade-FC).

Ela revelou fatos inéditos da biografia de Santa Luísa, que foi uma mulher forte, compadecida com a dor dos Pobres e sempre presente na vida de Vicente de Paulo.

Com base em cartas e outros escritos, Irmã Carolina prescreveu como deve ser a visita praticada pelos vicentinos aos Pobres. “Nós não podemos ter uma conduta negligente, superficial e distante diante dos Pobres, mas uma conduta de afeto. Precisamos conversar com os Pobres e servi-Los com o coração, fazendo o melhor para Eles e, não, o que achamos que é o melhor para as vidas Deles. Este não é o modo de servir. Informem-se das necessidades dos Pobres e falem com Eles com doçura. Não podemos ser impositivos, mas agir com compaixão. Sem serdes inoportunos e apressados, escarafunchando as vidas das pessoas que precisam de nossa ajuda”.

A Filha da Caridade ainda faz uma recomendação: “A gente se converte porque queremos continuar a missão de Jesus (de construir na Terra o Reino de Deus, não é para virar santo de altar”.

 

Fonte: Redação do SSVPBRASIL

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